O ex-governador Orlando Pessuti (PMDB) continua à espera de um cargo no governo federal. Ele deve ir a Brasília na próxima semana para discutir o assunto. Em conversas com integrantes da base aliada em Brasília, Pessuti conta que as nomeações de estatais e cargos de segundo e terceiro escalão estão praticamente paralisadas por conta das eleições na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Ainda ontem, o vice-presidente Michel Temer já havia confirmado a suspensão das nomeações que faltam, segundo ele para evitar mais disputas entre políticos do PMDB e do PT.

“Os companheiros de Brasília me disseram que está tudo em stand by e me recomendaram que aguarde porque nos próximos dias podemos ser chamados a Brasília para conversar. Mas muitas escolhas devem ficar para fevereiro”, adiantou Pessuti.

Para o ex-governador, esse processo está sendo normal. “Não há nada de excepcional nisso, é um governo que dá continuidade ao outro (de Lula para Dilma) e não é necessário que haja essa sangria desatada que precise nomear todo mundo logo no primeiro dia de trabalho. Eu mesmo, quando assumi o governo no lugar de (Roberto) Requião fiz alterações nos meses de abril, maio, junho, e algumas até em novembro”, compara.

Com a saída da ministra Márcia Lopes do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o Paraná perdeu um cargo no primeiro escalão do governo de Dilma Rousseff (PT).

A expectativa para uma nova nomeação paranaense, com a conclusão da convocação para os ministérios, fica agora para empresas como a Itaipu, Banco do Brasil, Correios ou Petrobras, segundo o próprio Pessuti enumerou em sua última coletiva enquanto governador, no dia 30 de dezembro.

Pessuti também comentou que acha desnecessária a decisão do novo governador Beto Richa (PSDB) em suspender a maior parte dos pagamentos do Estado aos fornecedores e a convênios pelos próximos três meses.

“Não era necessário, porque tudo o que nós autorizamos em termos de contratos e obras foi devidamente feito com base em informações da Secretaria da Fazenda, do Planejamento, da Administração, do Controle Interno, da Casa Civil. Não fizemos absolutamente nada que não fosse respaldado e por isso tínhamos convicção nas decisões”, justifica o ex-governador.

De acordo com Pessuti, as decisões dos seus últimos meses de mandato foram tomadas com base nas receitas de 2010 e na previsão orçamentária de 2011. Sobre a auditoria anunciada por Beto para analisar criteriosamente as contas do Paraná, Pessuti considera natural.

“Não é surpresa nem novidade. O Requião fez isso quando assumiu, agora o (Geraldo) Alckmin está fazendo a revisão dos contratos de (José) Serra, então considero algo normal”, respondeu.