O juiz da 1ª Vara Cível de Maringá, Mário Seto Takeguma, condenou o ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto (ex-PSDB); o ex-secretário da Fazenda, Luiz Antônio Paolicchi; dois funcionários públicos e um empregado de Paolicchi à devolução de pouco mais de R$ 3,1 milhões, que teriam sido retirados da prefeitura no período de 1997 a 2000, além do pagamento de multa de cerca de R$ 9,5 milhões. Os advogados dos réus têm prazo de 15 dias após a notificação para recorrer ao Tribunal de Justiça.

Paolicchi já está preso no 4º Batalhão da Polícia Militar desde dezembro de 2000, em razão de condenação, pela Justiça Federal, por sonegação de impostos. Além das duas ações civis públicas, cujas sentenças foram conhecidas ontem, o promotor José Aparecido Cruz disse que há outras três sendo analisadas pela Justiça e que questionam possível desvio de R$ 78,8 milhões. Elas envolvem Paolicchi e o ex-prefeito Said Felício Ferreira (ex-PMDB), que administrou o município entre 93 e 96.

Na primeira denúncia do Ministério Público, o ex-secretário, o chefe de contabilidade, Jorge Aparecido Sossai, a tesoureira da prefeitura, Rosimeire Barbosa e o funcionário de Paolicchi, Waldemir Ronaldo Corrêa são acusados de desviar cerca de R$ 2,6 milhões dos cofres públicos para despesas próprias e negócios. Alguns dias depois, Gianoto foi incluído em nova denúncia, ao ser encontrado em sua conta pessoal um cheque de cerca de R$ 548 mil pertencente à prefeitura.

Na sentença, o juiz manteve a indisponibilidade dos bens de Paolicchi e Gianoto, principalmente fazendas, que somam cerca de R$ 20 milhões. Os acusados com função pública também perderam os cargos. Todos tiveram suspensos os direitos políticos por 10 anos, assim como não poderão receber benefícios, incentivos fiscais ou créditos públicos pelo mesmo período.

A Justiça já procedeu a leilão de colheitadeiras que teriam sido compradas com os recursos desviados da prefeitura, que renderam cerca de R$ 230 mil. O promotor disse que, dentro de três meses, deverá apresentar mais uma denúncia contra Gianoto e Paolicchi, por desvio de mais R$ 3 milhões.