Desiludidos com o PT do presidente Luís Inácio Lula da Silva, alguns egressos da sigla estão se organizando em Curitiba para integrar o Movimento de Esquerda Socialista e Democrática, que está em processo de transformação em um novo partido político, cuja fundação nacional está marcada para junho.

Amanhã, as estrelas do Movimento – a senadora Heloísa Helena e os deputados federais Babá, Luciana Genro e João Fontes – estarão em Curitiba para uma plenária estadual. O encontro vai discutir a futura sigla, aberta a aqueles que estão à procura de uma alternativa partidária, que conforme o manifesto lançado em janeiro, reunirá aqueles “que não se conformam com a guinada doutrinária da direção nacional do PT e do seu governo”.

Expulsos do PT no ano passado porque se recusaram a votar favoravelmente à reforma da Previdência, os quatro estão percorrendo vários estados para sedimentar as bases do próximo partido, que ainda não tem nome. Já foram realizadas reuniões no Rio de Janeiro (RJ), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Belém (PA), Porto Alegre (RS) e Fortaleza (CE).

No dia 5 de junho, o novo partido será oficialmente criado numa reunião em Brasília, quando 101 filiados assinarão a ata de fundação. Em Curitiba, a reunião dos ex-petistas será no Teatro da Reitoria da UFPR (Universidade Federal do Paraná), a partir das 19h. Para legalizar a sigla, são necessárias quinhentas mil assinaturas para respaldar o pedido junto à Justiça Eleitoral. Enquanto esperam pelo registro oficial, os fundadores começam a discutir um programa e um estatuto provisórios.

Desfigurado

A coordenadora do Sindijus(Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário), Roseli Colussi, é uma das integrantes do Movimento em Curitiba. Filiada ao PT na metade da década de 80, Colussi deixou o partido em dezembro, na mesma leva de intelectuais e lideranças romperam com o PT depois de um ano de decepções com o desempenho da sigla no governo federal.

“O PT descaracterizou as bandeiras históricas da classe trabalhadora. Empurrou goela abaixo dos trabalhadores uma reforma que deveria ter sido discutida com toda a sociedade porque atingiu a todos os trabalhadores e não apenas os funcionários públicos”, justificou a dirigente sindical.

Até o próximo dia 25, o Movimento pretende definir o nome do novo partido, entre seis opções: PS (Partido Socialista), PES (Partidos da Esquerda Socialista), PAS (Partido da Alternativa Socialista), PMTS (Partido do Movimento de Todos os Trabalhadores Socialistas), PMST ( Partido do Movimento Socialista dos Trabalhadores) e PSOL (Partido do Socialismo e da Liberdade).