O esquema descoberto pela Pixuleco II, 18º capítulo da Operação Lava Jato, deflagrado nesta quinta-feira, 13, teria beneficiado o ex-secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, na gestão de Paulo Bernardo (Goverbo Lula), Duvanier Paiva Ferreira, morto em 2013.

A investigação gira em torno de propinas distribuídas por ordens do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto – preso em Curitiba – , a partir de fraudes com empréstimos consignados na Pasta, a partir do acesso de dados relativos a mais de 2 milhões de servidores públicos federais.

Paulo Bernardo foi titular do Ministério do Planejamento entre março de 2005 e janeiro de 2011 (governo Lula). Segundo a força-tarefa da Lava Jato, a organização era comandada pelo operador de propinas Alexandre Romano, preso nesta quinta, 13, e ‘auferia remuneração decorrente desses serviços’. O esquema teria sido montado em 2010 e predominou até julho de 2015.

Um rastreamento indicou que houve pagamentos de propinas inclusive para a viúva de Duvanier Paiva Ferreira. De acordo com o site do Planejamento, o ex-secretário morreu após sofrer um infarto agudo do miocárdio.

“Por sua trajetória foi convidado a ocupar a chefia de Gabinete da Secretaria de Gestão Pública da Prefeitura de São Paulo. Liderança importante no movimento sindical, Duvanier ocupou os cargos de diretor do SindSaúde/SP, da CUT-SP, e assessor da Secretaria-Geral da CUT Nacional”, relata o site da pasta.

Em junho de 2007, durante o governo Lula, Duvanier Ferreira foi convidado pelo ministro Paulo Bernardo para assumir a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento. No governo federal, segundo o Ministério do Planejamento, ‘Duvanier institucionalizou o processo negocial e conduziu a Mesa Nacional de Negociação Permanente’.

“Também contribuiu significativamente para a aprovação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho – OIT -, que assegura o princípio da negociação coletiva entre servidores públicos e governo. Durante sua gestão à frente da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, estabeleceu uma agenda de conversas diárias com os representantes dos servidores públicos federais”, diz o site da Pasta.

O processo teria resultado ‘na mais ampla reestruturação de carreiras do serviço público nas últimas décadas, com ganhos financeiros reais para cerca de 1,2 milhão de servidores’.

“Mantido no cargo no governo da presidenta Dilma Rousseff, o secretário tinha total confiança da ministra Miriam Belchior como condutor das relações de trabalho do governo com os servidores”, afirma o site do Planejamento.