Os integrantes da CPI da Copel ouviram ontem mais dois depoimentos, o de Fábio Ramos, ex-vice-presidente da Tradener, empresa intermediária dos principais contratos de venda de energia elétrica da Copel fora do Paraná, e de Pedro Augusto Nascimento Neto, funcionário da companhia de energia elétrica que teria participado do Comitê de Operacionalização da Tradener.

De acordo com o presidente em exercício da Comissão, deputado Vanderlei Iensen (PDT), o depoimento de Nascimento foi mais técnico. “Queríamos saber como funcionava o comitê”, disse. Já no de Ramos foram constatadas algumas contradições com depoimentos anteriores. “O depoimento do Fábio Ramos foi interessante porque ele foi sócio da Tradener, e foi tirado da empresa a contra gosto”, disse o deputado. No depoimento de Valfrido Dávila, presidente da Tradener, ele afirmou que o contrato com a Volkswagem foi feito pela própria Tradener. Já Ramos afirmou que o contrato foi viabilizado pela Copel. “Os depoimentos na CPI estão fortalecendo nossa opinião de que a Copel não precisava da Tradener, que não havia necessidade de fazer a corretora para pagar comissão”, afirmou Iensen. “Pela legislação a Copel não tinha obrigação de fazer acordo com a Tradener, fez porque quis, para favorecer amigos e parentes”, opinou.

“Há ainda casos de funcionários que foram cedidos pela Copel e depois pediram demissão e trabalham hoje na Tradener. Há o caso de um funcionário que a Copel pagou US$ 300 mil para dois anos de NBA nos Estados Unidos. Ele voltou, foi cedido para a Tradener, pediu demissão da Copel e continua trabalhando para a Tradener. Ou seja, a Copel investiu mas não teve retorno”. A próxima reunião da CPI será na terça-feira. Nesta quinta-feira haverá uma reunião interna para definir os novos depoimentos.

Rastreamento

O sub-relator da CPI da Copel, deputado Tadeu Veneri (PT) solicitou ao presidente da comissão, deputado Marcos Isfer (PPS) que seja peticionado ao Juízo da 2ª Vara Criminal de Curitiba o rastreamento das contas bancárias das empresas e pessoas físicas envolvidas em negociações que estão sendo investigadas pela comissão. São elas: a Rodosafra – Logística e Transporte Ltda., a Mega Up-Grade Informática LTDA., a Sulgrain Operações Portuárias LTDA., a Plantarte Assessoria e comércio LTDA., a DDL Distribuição e Comércio LTDA., a Overjet Informática Ltda., a Mix Trade Comércio Internacional Ltda., além do advogado Antônio Carlos Brasil Fioravante Pieruccini, Milton João Machiavelli, Luiz Sérgio da Silva, procurador da Rodosafra e da Olvepar, e do escritório Jorge Domingos Advogados Associados S/C.