O ex-superintendente dos portos de Paranaguá e Antonina, Daniel Lúcio Oliveira de Souza, pode ser libertado hoje do Centro de Triagem II, em Piraquara, onde está preso desde o último dia 19, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Dallas, que investiga o desvio de cargas no porto e fraudes em contratação de empresas para a dragagem do Canal da Galheta.

Ontem, o advogado de Daniel Lúcio, Francisco de Assis do Rego Monteiro Rocha Júnior, foi até Porto Alegre, onde conseguiu liminar pelo habeas corpus impetrado no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), sob a condição de pagamento de fiança.

O valor fixado pela Justiça para que Daniel Lúcio saia da cadeia é de R$ 200 mil. “Daniel Lúcio será liberado assim que esse valor for pago. Já conversei com ele e agora estou vendo com a família dele como será feito para arrecadar esse valor. Vamos tentar para hoje”, explicou o advogado Rocha Júnior.

Daniel Lúcio é acusado de fraude e direcionamento em licitações feitas pelo porto e cobrança de propina na tentativa de compra da draga da China. Junto com Daniel Lúcio, outras nove pessoas foram presas e todas já conseguiram sair da prisão.

Agora, a Polícia Federal está se debruçando sobre documentos e material de mídia apreendidos nas casas das pessoas envolvidas. “Queremos aprofundar alguns pontos para ter mais subsídio quando formos ouvir outras pessoas que podem estar envolvidas no caso”, explica o delegado da PF Sérgio Luís de Oliveira, responsável pelos quatro inquéritos que surgiram a partir das irregularidades verificadas no porto.

Embora ainda não haja data marcada, o delegado confirma que mais de dez outras pessoas devem ser ouvidas em breve. “Não há mandados de prisão contra elas. Algumas dessas pessoas serão intimadas e já se dispuseram a prestar esclarecimentos à investigação. São pessoas, inclusive, que já tiveram mandados de busca e apreensão em suas casas”, afirma Oliveira, que não adiantou nomes.

No dia 19, quando a Operação Dallas foi deflagrada, a Polícia Federal realizou mandados de busca e apreensão na casa de outro ex-superintendente do porto, Eduardo Requião, irmão do ex-governador e senador Roberto Requião (PMDB). Outra busca foi cumprida na casa do ex-secretário especial do governo Requião e suplente do ex-governador no Senado, Luiz Guilherme Mussi.

Quando a operação foi deflagrada, além das apreensões realizadas no Porto de Paranaguá, foi encontrada até uma passagem secreta que dava acesso direto para o estacionamento e permitia a entrada e a saída de pessoas sem serem vistas, um indício de como o desvio de cargas poderia ser facilitado.

As investigações tiveram início em 2009, depois que a polícia recebeu reclamações de que os carregamentos que saíam do porto não chegavam completos ao destino final.