Foto: Chuniti Kawamura/O Estado

Gleisi: emissários da candidata tentam acalmar os ânimos.

As avaliações críticas do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre a gestão do Porto de Paranaguá provocaram danos colaterais na candidatura de Gleisi Hoffmann (PT) ao Senado. Mulher do ministro, Gleisi já foi comunicada pelos peemedebistas do comitê Lula-Requião que houve um refluxo no movimento de apoio à sua candidatura. A primeira medida foi o cancelamento de um jantar que havia sido programado para a próxima segunda-feira, dia 4, em que vários aliados do governador Roberto Requião (PMDB) iriam declarar publicamente o apoio à petista.

O comando da campanha de Gleisi não quis se pronunciar sobre o assunto. Mas O Estado apurou que há um esforço da campanha consertar o estrago causado pela manifestação do ministro. Ao participar de um encontro em Curitiba, na segunda-feira passada, dia 28, Bernardo pôs a perder o que Gleisi estava conquistando desde o início da campanha: o apoio de uma ala do PMDB.

Diante do fim da aliança com o PSDB e do veto da Justiça Eleitoral à candidatura do ex-secretário Aldo Parzianello, parcela do PMDB estava pronta para levantar a bandeira da candidata do PT. Mas refluíram depois que o ministro afirmou que era equivocada a posição do governo estadual em vetar o cultivo e comercialização de produtos transgênicos. Bernardo usou o termo ?mal equacionado? para descrever o tratamento dado ao tema por Requião, que já tinha até expressado sua simpatia pela candidata petista.

Alguns peemedebistas acreditavam que o governador poderia anunciar seu apoio a Gleisi na próxima segunda-feira, caso a candidatura de Parzianello esbarre agora no Tribunal Superior Eleitoral. O partido fez, anteontem, sua última tentativa de emplacar a candidatura ao Senado, por meio de uma medida cautelar ajuizada no TSE. A expectativa da assessoria jurídica é que o recurso seja julgado até o final de semana.

Magoados

Um dos coordenadores do comitê Lula-Requião, Doático Santos, disse que os comentários de Bernardo geraram mal-estar no PMDB. ?Não entendemos o que o ministro quis fazer. Foram comentários irresponsáveis, que nos afastam enquanto não houver uma explicação sobre o pronunciamento dele?, afirmou Doático.

Para o coordenador do comitê, Bernardo reagiu a um sinal de aproximação entre Lula e Requião, emitido durante a visita do presidente a Foz do Iguaçu, na semana passada. Requião não demonstrou disposição de apoiar publicamente Lula, mas para Doático a manifestação do vice-governador Orlando Pessuti, que declarou voto no presidente, foi uma prova de que o governador estava chegando muito perto do palanque da reeleição do petista. ?Parece até que o Paulo Bernardo ficou com ciúme da relação do Lula com o governador. Porque os dois tiveram uma conversa muito boa no aeroporto de Foz. O Samek (Jorge Samek, coordenador da campanha de Lula no Paraná) sabe que a conversa foi ótima?, comentou.

No vídeo

Às declarações de Bernardo se somaram também a exibição do depoimento do presidente Luiz Inácio Lula de apoio à candidatura do senador Flávio Arns no programa eleitoral gratuito, que selaram o vínculo com a chapa majoritária petista, desagradando setores que ainda esperavam uma declaração de adesão do governador Roberto Requião (PMDB) à reeleição de Lula.