Líder nas mais recentes pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais, o petista Fernando Pimentel está fazendo sua campanha descolada do PT e da presidente Dilma Rousseff, de quem foi ministro do Desenvolvimento. Nos cavaletes espalhados pela capital mineira, nos adesivos e nos programas de televisão do horário eleitoral gratuito, a presidente, que disputa a reeleição, não aparece com destaque ao lado do aliado.

A tradicional estrela do PT também está relegada ao segundo plano e o vermelho, que é a marca do partido, foi substituído por um laranja bem mais discreto. Para os tucanos mineiros, que tentam eleger Pimenta da Veiga, a opção estratégica dos petistas é aproveitar a lembrança que os mineiros têm dos tempos que Pimentel e Aécio eram aliados. Apesar de estarem em partidos rivais no plano nacional, os dois se uniram em 2008 para eleger Márcio Lacerda (PSB) prefeito de Belo Horizonte. A parceria entre eles era exaltada por ambos como um exemplo do modo republicano de se fazer política.

Ao fugir do tabuleiro nacional, Pimentel ficaria livre para transitar entre os eleitores “vermelhos” e “azuis”. “Não tenho dúvida de que ele está escondendo seu partido do mesmo jeito que esconde sua candidata à Presidência. Isso será explicitado para o eleitor. Enganar o eleitor é um erro”, afirma Pimenta da Veiga. Questionado sobre a estratégia, Pimentel afirma que a eleição “é para o governo” e diz que as pessoas sabem diferenciar as duas campanhas.

Mas faz uma provocação. “Uso (a imagem da Dilma e do PT) com normalidade. Eles (tucanos) têm a ilusão de achar que o Aécio tem uma força mágica ou mística, mas ele está em terceiro lugar (na disputa presidencial)”.

No ataque. Para reverter o quadro no Estado, Aécio fez uma intervenção direta na comunicação da legenda. Deslocou para Minas Gerais sua irmã, Andrea Neves, que dava as cartas na comunicação da campanha nacional ao lado do marqueteiro Paulo Vasconcelos.

A chegada dela deixou o comando da campanha em Minas aliviado. Motivo: ela seria a única capaz de centralizar Pimenta. Aliados ouvidos pela reportagem classificam ele como um político “imprevisível”, “intempestivo” e “voluntarioso”.

Em uma reunião fechada na quinta-feira passada em Belo Horizonte com os 100 principais quadros do seu grupo político no Estado, Aécio determinou que a campanha local, que é comandada pelo marqueteiro Cacá Moreno, colasse em seu nome e fosse mais agressiva. Na saída do encontro, o presidenciável deixou clara a sua tática.

Depois de dizer que era hora de “dar uma acelerada” na campanha, Aécio afirmou que ela “talvez devesse” vincular as duas campanhas – presidencial e local. “Pimenta tem que ser identificado com o trabalho feito em Minas nos últimos 12 anos.”

Deputados e dirigentes tucanos mineiros vinham reclamando que a campanha eleitoral na TV e no rádio estava “olímpica” e que o marketing agia como se Pimenta da Veiga liderasse com folga as pesquisas de opinião.

A campanha na TV passará a fazer o contraponto ao rival para deixar claro que ele agora está no campo oposto. Nas palavras de um deputado do PSDB, a campanha “saiu do clima do velório para a euforia”.

A avaliação predominante no QG tucano é de que a decisão de espelhar a campanha estadual na nacional independe do desempenho de Aécio nas pesquisas nacionais e mineiras, uma vez que parte dos eleitores tradicionais do PSDB deve migrar para a candidatura de Marina Silva (PSB) como forma de fazer o voto útil antipetista.

Arrecadação

Apesar de estar em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para a eleição mineira, a campanha do tucano Pimenta da Veiga arrecadou até agora mais dinheiro do que a do adversário petista Fernando Pimentel.

Foram R$ 11,6 milhões para o candidato do PSDB, ante R$ 9,7 milhões do petista. Por outro lado, a campanha de Pimenta foi a que gastou mais até agora: R$ 11,1 milhões ante R$ 6 milhões gastos por Pimentel. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.