Foto: Secretaria de Comunicação Social

Governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, é apoiado pelo seu colega do Paraná, Roberto Requião.

O governador licenciado do Rio Grande do Sul, Gemano Rigotto, calcula que fará 80% dos votos do Paraná e, em todo País, cerca de 70% dos votos dos 19.948 convencionais aptos a participar das prévias para indicar o candidato a presidente da República, marcada para o próximo dia 19, em Brasília. A previsão foi feita ontem durante a visita de Rigotto a Londrina, onde foi pedir apoio à sua pré-candidatura.

O pré-candidato peemedebista voltou ao Paraná impulsionado pelo apoio que recebeu do governador Roberto Requião (PMDB) no domingo passado, quando esteve em Curitiba. Além de Londrina, Rigotto também esteve em Francisco Beltrão, cumprindo roteiro semelhante ao que fez o seu concorrente, o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, no início da semana.

Rigotto disse que, depois de debelar as manobras da ala governista do partido contra o lançamento de candidato próprio, nada mais pode impedir a realização das prévias do PMDB. "O partido demonstrou que a vontade da maioria é realizar a prévia e lançar candidato próprio. É preciso que eles entendam essa vontade e não tentem arranhar e violentar a história do PMDB", declarou o governador gaúcho.

Rigotto se considera o único nome capaz de unir o partido em torno da candidatura própria. Ele citou que tem o apoio de parte das principais lideranças nacionais peemedebistas, como os governadores de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, do Paraná, Roberto Requião, de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, e do ex-governador paulista Orestes Quércia, além do prefeito de Goiânia Iris Resende. Estes estados, juntos, somam mais da metade dos votos do partido na eleição de domingo.

O governador do Rio Grande do Sul afirmou que o PMDB não pode mais ser refém de um grupo. "Temos o maior partido do país. São mais de mil prefeitos, oito mil vereadores, a maior bancada no Senado e a segunda maior na Câmara dos deputados", destacou Rigotto, que tem evitado comparações diretas com Garotinho. "Não me cabe traçar virtudes ou defeitos do outro. O importante é que estamos num movimento pelo resgate da história do nosso partido", disse.

Rigotto é governador de um estado que tem o maior número de votos na prévia do PMDB. São 3.155 convencionais. O segundo maior colégio eleitoral é São Paulo, com 2.777 convencionais, seguido por Santa Catarina, com 2.171 delegados. O Paraná está em quarto lugar com 1.945 delegados.

Mobilização

Como Rigotto demorou a começar sua campanha, ao contrário de Garotinho que já veio várias vezes ao Paraná, e o apoio do governador Roberto Requião somente foi anunciado no domingo passado, o governador gaúcho está em desvantagem no estado, segundo os levantamentos dos peemedebistas estaduais. O ex-secretário Renato Adur, que junto com o vice-governador Orlando Pessuti e o vice-presidente estadual do partido, Nereu Moura, está coordenando a campanha de Rigotto no Paraná, passou o dia ontem mobilizando os convencionais paranaenses. O trabalho é para reverter votos já prometidos a Garotinho.

Um dos coordenadores da campanha de Garotinho, o deputado estadual Artagão Júnior, disse que ficou surpreso com a posição de Requião, já que o governador havia sinalizado que permaneceria neutro na disputa. Conforme Artagão Junior, o ex-governador fluminense tem o apoio de dez deputados estaduais, três federais e mais sete secretários de estado.

No domingo, Requião disse que o governador gaúcho "é um dos quadros mais sérios que o PMDB tem no Brasil, absolutamente incorruptível, corajoso e capaz de levar a bandeira do PMDB – o único partido que questiona o atual modelo econômico e quer debater a contradição entre o Brasil-mercado e o Brasil-nação".