O governador se reuniu com o delegado-
geral da Polícia Civil ontem de manhã.

O governador Roberto Requião (PMDB) disse ontem que acredita na inocência do delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto de Oliveira, acusado pelo deputado estadual Mário Bradock (PMDB) de falsificar notas fiscais para justificar diárias irregulares de viagem. O delegado foi recebido pelo governador no Palácio Iguaçu, onde conversaram por uma hora pela manhã. O delegado-geral voltou a conversar com o governador no início da tarde.

“Tudo indica que são notas fraudulentas”, afirmou o governador. Ele determinou a abertura de uma sindicância para esclarecer as acusações apresentadas pelo deputado peemedebista, que preside a Comissão de Segurança Pública da Assembléia “O Adauto tem a minha confiança. Ele não era fiscal de nota. Apenas autorizava as viagens e já determinei a abertura de uma sindicância para apurar as responsabilidades”, resumiu.

Contestação

Bradock afirmou que a posição do governador somente pode ser explicada por insuficiência de informações. “Ele pode achar isso se não tiver ciência dos fatos”, comentou o deputado. E emendou: “se o governador quer proteger …”. Bradock não completou a frase. O deputado levou o caso à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que deve apresentar um parecer final sobre a denúncia nos próximos vinte dias.

Ontem, o líder do governo na Assembléia Legislativa, Angelo Vanhoni (PT), voltou a defender o delegado-geral, que mencionou o petista como um dos deputados que participam de pressões para modificar sua forma de dirigir a Polícia Civil. Adauto afirmou que a denúncia fazia parte de um processo de “fritura” desencadeado, entre outros fatores, pelos deputados estaduais que tentam interferir no seu trabalho. O delegado-geral comentou que não participa de encontros informais com deputados e citou que recusou convites para jantar com Vanhoni e com o deputado estadual Natálio Stica (PT).

O líder do governo afirmou que o delegado-geral formulou uma opinião errada a seu respeito. “Continuo dizendo que acredito que nada disso será provado contra o delegado Adauto. Conheço o caráter dele e fui o primeiro a defendê-lo. Agora, eu o convidei para jantar na minha casa. Como meu amigo. Ele não foi. Ele está equivocado a meu respeito”, reagiu.

 Adauto devolve acusações

O delegado-geral da Polícia Civil, Adauto Abreu de Oliveira, garante que a acusação de falsificar notas fiscais, feita contra ele pelo deputado estadual Mário Bradock (PMDB), é infundada e incoerente. “O deputado agiu de má-fé porque sabe como funciona o processo de recebimento de diárias na polícia e recorreu ao falsário João Cleiton Maciel, investigador afastado por mim na primeira semana do governo Requião, por apresentar notas frias”, afirmou Adauto.

Adauto disse que apenas assinava a autorização da data da viagem dos delegados e que os valores apresentados pelo deputado foram forjados. “Todo o dinheiro para diárias da Corregedoria não chegava a R$ 15 mil, enquanto ele acusa um valor de R$ 26 mil”, registrou. De acordo com o delegado, as despesas de viagens são depositadas em contas de funcionários titulares, que se resumem a no máximo R$ 3 mil por trimestre, e que os policiais designados para as viagens prestam contas a estes funcionários que posteriormente encaminham ao Tribunal de Contas.

Segundo o delegado-geral, a prática de falsificação de notas ocorre com freqüência em viagens da Polícia Civil. “Os policiais dormem na beira da estrada e depois pedem notas nos hotéis para justificar o recebimento das diárias”, exemplificou. Diante da existência destes atos, o delegado-geral encaminhou ao governador, no início do ano, um pedido para que as notas de viagens da Polícia Civil fossem acompanhadas de outros documentos que comprovem a legalidade das notas fiscais. Adauto ressalta que a sindicância determinada pelo governador Roberto Requião não é dirigida contra ele, mas sim para apurar e comprovar o seu não-envolvimento nas denúncias apresentadas pelo deputado.

 Denúncias estão na PIC

O policial civil que entregou ao deputado e ex-delegado Mário Sérgio Bradock um dossiê de denúncias contra Adauto Abreu de Oliveira, delegado-geral da polícia civil do Paraná passou todo o dia de ontem fechado na PIC (Promotoria de Investigação Criminal) e incomunicável. A PIC está investigando as denúncias de que Oliveira teria falsificado notas fiscais e cometido outras irregularidades quando ocupava o cargo de corregedor geral da polícia, no ano passado. O policial autor das denúncias seria João Cleiton Maciel, que trabalhou na Corregedoria com Oliveira e atualmente está na delegacia do Meio Ambiente, lotado como superintendente.

A Tribuna teve acesso a parte dos documentos enviados pelo policial para o deputado Bradock. Em uma carta datilografada, e não-assinada, o policial afirma que já foi prejudicado por Oliveira e que apresenta as denúncias como um “amigo da polícia”. Existem cópias de notas fiscais emitidas por hotéis do interior em nome de Adauto Abreu de Oliveira, que seriam frias. Anexadas, foram colocadas cópias das notas que seriam as verdadeiras, obtidas junto à administração do hotel.

Irregularidades

Também existem cópias xerox de documentos de autorização do Sistema de Administração do governo do Estado para indenização de despesas com alimentação e hospedagem em nome de Oliveira. Entre as irregularidades, estão as datas de autorização, posteriores às supostas datas em que o corregedor estaria viajando, que constam das notas fiscais de hotéis.