O governador Roberto Requião (PMDB) iria reunir ontem à noite os deputados aliados, secretários e peemedebistas para fazer uma convocação geral de participação na campanha eleitoral em Curitiba.

O encontro estava marcado para a Granja do Canguiri e tinha como alvo principal os peemedebistas, apontados como os mais arredios ao processo eleitoral em Curitiba. O convite também foi extensivo ao PTB, outro dos aliados que também está passando ao largo da campanha do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT), que trava uma disputa acirrada pelo primeiro lugar com o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB).

Simultaneamente ao apelo do governador por mais empenho na eleição do candidato que apóia em Curitiba, uma ala do PMDB e do PTB criticava a campanha petista. O deputado Rafael Greca era o mais inflamado. Greca anunciou que está pedindo judicialmente o direito de resposta no programa do PT no horário eleitoral gratuito por se julgar ofendido pela propaganda em que o apresentador cita que o atual grupo que administra a cidade está há dezesseis anos no poder sem fazer as obras e adotar as medidas que a população precisa.

Greca, que já foi prefeito de Curitiba, disse que foi uma afronta. “Isto é falta de qualidade moral. Eles deveriam ter coragem de falar mal dos seus oponentes e não depreciar os antigos prefeitos. Isso tira votos do Vanhoni. O PT não compreende a cidade, a história da cidade. Eles ficam pagando paulista para enlamear o nosso nome”, disse o deputado, que disputou a convenção do PMDB junto com o deputado Gustavo Fruet e perdeu para o grupo que preferiu a aliança com o PT.

O deputado estadual Carlos Simões estava convidado para a conversa de ontem com o governador. Disse que iria, mas que não pretende participar da campanha. “É uma campanha diferente. Eles já estão eleitos. Não precisam de ninguém. Não é que eu esteja fora da campanha. Nós não estamos é dentro”, ironizou.

Simões sugeriu que foi excluído da campanha petista-peemedebista e comentou que a coordenação da campanha cometeu um engano ao direcionar todo o esforço e investimento nos programas de televisão. “Acharam que é uma campanha só de mídia. Acho que se enganaram. Mas tudo bem porque não sou candidato. Na campanha em Curitiba, sou um bom telespectador”, afirmou.

Ex-integrante do grupo que defendia a candidatura do deputado federal Gustavo Fruet à prefeitura, o presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, também manifestou sua contrariedade com a campanha eleitoral em Curitiba. “Todos já conhecem minha posição. Têm alguns de salto alto e alguns que nem salto têm. O jipe deles já virou”, atacou o dirigente peemedebista. E acrescentou que havia alertado que a estratégia de aliança entre PMDB e PT no primeiro turno estava fadada ao fracasso. “Tudo o que é forçado, de cima para baixo, não dá certo”, disse.

Fabiano Jr. e Stica reagem aos ataques

Um dos coordenadores da campanha do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) à Prefeitura de Curitiba, Fabiano Braga Cortes Junior, disse que o deputado Rafael Greca não deveria se ofender com o programa exibido no horário eleitoral gratuito do PT. Segundo Fabiano, a propaganda apenas expõe o desgaste do grupo que comanda a prefeitura de Curitiba. E que uma das provas deste desgaste é que Greca deixou o grupo e se filiou ao PMDB.

O coordenador da campanha de Vanhoni esclareceu ainda que ao citar que as administrações dos últimos anos não construíram centros culturais, o programa não se referia aos Faróis do Saber, criados por Greca, durante sua gestão na prefeitura. Fabiano comentou que Vanhoni estava usando como referência centros como o que funciona no Portão, que engloba uma série de atividades. E que a comparação com os Faróis não é cabível, já que se trata de um outro modelo de equipamento cultural.

Nova estratégia

O deputado estadual Natálio Stica (PT), que ocupa a liderança do governo na Assembléia Legislativa, disse que a reunião convocada ontem à noite pelo governador Roberto Requião com os peemedebistas funcionaria como “um tratamento de choque” para reverter o momento delicado da campanha do deputado estadual Angelo Vanhoni (PT) à Prefeitura de Curitiba.

Segundo Stica, trata-se de uma campanha atípica e que fugiu às expectativas iniciais que era de vencer a eleição no primeiro turno. “Esperávamos ganhar no primeiro turno, mas o quadro está embolado porque é uma campanha atípica, que não envolveu as pessoas, não apenas a nossa, mas a de todos os candidatos. Parece que a campanha ficou na mão de cabos eleitorais pagos”, disse o deputado, responsável pela organização dos comícios eleitorais de Vanhoni, em Curitiba.

Stica informou que a campanha petista-peemedebista irá adotar nova estratégia a partir de agora. Vai investir também na campanha de rua feita pelos militantes. “Não sei exatamente onde foi o nosso erro. Mas acreditou-se muito na televisão porque tínhamos a melhor equipe do Brasil. Mas a televisão não diferencia um programa do outro. O que não podemos esquecer é da militância e da campanha de rua”, afirmou.

Stica respondeu às críticas dos aliados sobre a condução da campanha. Negou que o deputado Carlos Simões tenha sido excluído da campanha. “Ele foi chamado. Eu próprio o chamei para me ajudar nesta parte dos comícios que é uma área onde ele tem bastante experiência. Mas ele disse que estará conosco no segundo turno”, disse.

Sobre a declaração do deputado estadual Dobrandino da Silva, o deputado petista comentou: “Eu sou piloto de corrida. Já fiz várias capotagens na véspera de uma corrida e ganhei assim mesmo com o carro reserva”, reagiu, sobre a comparação feita pelo deputado peemedebista entre a campanha em Curitiba e um jipe. (EC)