Requião: um dos dez governadores
que influenciam o eleitor na capital.

Brasília (AG) – A rodada de pesquisas concluída no fim de agosto mostra que, a um mês das eleições, a maioria dos governadores está com dificuldade para eleger os seus candidatos nas capitais.

Levantamento feito pelo Globo, com base nos números recentes da disputa municipal, mostra que, dos 26 governadores, apenas 10 estão influindo positivamente nas capitais, com seus candidatos liderando as pesquisas, como ocorre em Curitiba com a chapa Angelo Vanhoni/Nizan Pereira (PMDB), que tem o apoio do governador Roberto Requião (PMDB).

Nos outros 16 estados, existem duas situações. Em sete capitais, os candidatos apoiados por governadores têm chance de ir para o segundo turno. São elas: Macapá, Goiânia, Cuiabá, João Pessoa, Recife, Porto Velho e Florianópolis. Nas outras nove capitais, dificilmente o candidato com apoio do governo estadual conseguiria ir para o segundo turno, de acordo com os números mais recentes. São elas: Maceió, Campo Grande, Belo Horizonte, Teresina, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Boa Vista, Aracaju e Palmas.

Segundo o cientista político Antonio Lavareda, da empresa de consultoria e marketing MCI, existem três situações em que a força dos governadores pode influir: de forma positiva, neutra ou negativa. Segundo ele, se o governador tiver na capital uma avaliação de ótimo ou bom superior a 40%, ele passa a ser um eleitor importante da disputa. Se esse índice positivo estiver entre 30% e 40% das respostas, sua ação será inócua numa campanha. Mas se a aprovação for menor que 30%, o seu apoio passa a afetar o candidato.

Lavareda cita como exemplo a campanha de 1996, no Recife, em que o candidato Roberto Freire (PPS), hoje deputado federal, acabou com menos de 5% dos votos. Na ocasião, Freire foi apoiado pelo então governador Miguel Arraes (PSB), que estava com avaliação negativa na capital pernambucana.

“Se o governador estiver bem avaliado, ele pode ajudar o seu candidato da capital. Mas o seu apoio não é o fator decisivo nas grandes cidades e capitais.

Existe um conjunto grande de variáveis que acaba influindo no processo eleitoral”, avalia Lavareda.

O cientista político explica que entre as variáveis que pesam na disputa de capitais estão o desempenho do governador, a avaliação do presidente, o desempenho dos atuais prefeitos, o histórico de administração dos candidatos e a comunicação da campanha.

Nesta campanha, a prática eleitoral está confirmando a teoria política. Um exemplo da influência positiva é a disputa de São Paulo, em que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) passou a colar no candidato tucano José Serra. Resultado: Serra teve uma recuperação nas pesquisas recentes.

A presença de Alckmin na campanha está motivando até mesmo a candidata petista, Marta Suplicy, a externar uma boa convivência com o governador para minimizar sua influência. Incomodado com a tentativa de Marta de neutralizar o apoio de Alckmin, Serra reagiu no debate da semana passada da TV Record:

“Um dia, Marta elogia o Alckmin quando acha que dá voto; no outro critica, quando é bom para o debate”.

PT e PFL vencem na Justiça

Por decisão do juiz Marco Antônio Antoniassi, da 4.ª Zona Eleitoral de Curitiba, foi concedido direito de resposta à Coligação Tá na Hora Curitiba, de Angelo Vanhoni, nos programas do PT do B no rádio, por críticas consideradas ofensivas feitas pelo candidato Danilo D?Avila, por afirmações injuriosas; ao PFL, de Osmar Bertoldi, no espaço do PSTU, também por afirmações consideradas injuriosas; e à Coligação Curitiba Melhor Pra Você, de Beto Richa, no horário destinado aos candidatos a vereador da Coligação Tá Na Hora, Curitiba, em função de críticas feitas pelo candidato Roberto Rolin Moura Júnior a Richa.

Antoniassi também decidiu que deverá ser suspensa a veiculação de manifestação do apresentador Ratinho em apoio à candidatura de Rubens Bueno (PPS) no horário eleitoral gratuito, no espaço destinado aos vereadores. A participação do apresentador foi questionada pelo PFL.

Privilégio

O PV não teve sucesso na representação movida contra a Rede Paranaense de Televisão, sob a alegação de que a emissora teria descumprido o art. 45 da lei 9504/97, que proibe tratamento privilegiado a candidato ou coligação. O candidato Melo Viana se insurgiu contra a decisão de convidar para entrevista em programa jornalístico apenas cinco candidatos a prefeito.

A representação da Coligação Tá na Hora Curitiba contra o PRP, que veiculou propaganda utilizando cenas externas com imagens e entrevistas de populares criticando o PT e seu candidato, foi acatada parcialmente por Antoniassi, que proibiu as inserções, mantendo a peça na propaganda em bloco.

Também foi julgada parcialmente procedente a representação movida pela Coligação Curitiba Melhor Pra Você contra a Coligação Tá na Hora Curitiba relativa à participação do candidato Angelo Vanhoni no espaço dos vereadores. A decisão não proibe o candidato de participar do programa de seus aliados, mas o impede de fazer propaganda de seus projetos e candidatura em horário impróprio.

Balanço

O TRE paranaense encerrou no último sábado, prazo máximo previsto em lei, sua pauta de julgamentos de pedidos de registro de candidaturas. Foram 602 de Curitiba e do interior do Estado. Vários deles subiram ao Tribunal Superior Eleitoral em forma de recurso. Os que geram maior expectativa e deverão ser julgados até o dia 23 de setembro são os que tratam da impugnação das candidaturas do ex-prefeito Antônio Belinati (PSL) à Prefeitura de Londrina, do prefeito de Araucária Albanor Gomes (PSDB) à reeleição, e de Neuza Pessuti, irmã do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) à Prefeitura de Jardim Alegre.

TRE/RJ rejeita condenados

Rio (AE) – O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) decidiu impugnar os registros de candidatura de todos os políticos condenados ou que respondem a processos na Justiça, mas não conta com o apoio da seção regional Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Apesar de o presidente em exercício do Conselho Federal da OAB nacional, Aristóteles Atheniense, ter se manifestado a favor de a Justiça Eleitoral criar jurisprudência sobre o tema, o presidente da OAB-RJ, Octavio Gomes, acusou o TRE do Rio de ignorar a Constituição.

O presidente da OAB-RJ diz que é favorável à criação de mecanismos que impeçam que criminosos tentem a carreira política em busca de imunidade e foro privilegiado, mas afirma que o caminho é a proposta de uma emenda constitucional no Congresso para mudar a legislação.

Só na cidade do Rio, a estimativa é que 20% dos pouco mais de mil candidatos a vereador, prefeito e vice-prefeito tenham alguma anotação penal. São réus de crimes como agressão, furto, estelionato, peculato e até homicídio e tráfico de drogas. A lista com os nomes de todos os que serão impedidos de concorrer será divulgada quarta-feira (8). Funcionários do TRE estão trabalhando na lista durante o feriadão para verificar caso a caso e evitar equívocos.

Justificativa

O presidente do TRE do Rio, desembargador Marcus Faver, justificou a decisão com a necessidade de desestimular pessoas com problemas com a polícia de se candidatar. Participando ontem de um encontro dos presidentes dos TREs em Florianópolis (SC), ele anunciou que explicaria melhor os motivos de sua decisão com a divulgação da lista.

Os candidatos poderão recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que terá até 14 de setembro para dar a palavra final. Para Gomes, dificilmente a decisão será mantida pelo TSE, já que a lei só permite a cassação do registro de candidatos condenados sem possibilidades de recurso.

Pelas estimativas do TRE, o percentual de candidatos com anotações penais pode chegar a 40% na Baixada Fluminense. O candidato a vereador Jorge Oliveira de Souza (PP), que responde na Justiça por suposto envolvimento em grupos de extermínio em São João de Meriti, diz que respeitará a decisão do TRE caso seu nome apareça na lista. “Jamais vou contestar qualquer iniciativa do Tribunal. Não devo mais nada à Justiça e acredito que esse tipo de pré-julgamento não existe”, afirmou.

O TRE do Rio também quer cassar os registros de candidatos analfabetos. Para o desembargador Marcus Faver, sem condições de ler ou escrever sozinho seus projetos de lei, um analfabeto não pode exercer seu mandato com independência.