O Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), órgão do Ministério da Justiça, aceitou pedido de refúgio do ex-senador boliviano Roger Pinto Molina, de 55 anos, um opositor do governo Evo Morales que vive há três no Brasil. Na última semana, autoridades do país vizinho divulgaram carta para cobrar a extradição de Molina. “A concessão do refúgio é uma resposta orgânica do governo brasileiro às ações de Evo Morales”, avaliou o político.

Molina protagonizou uma das histórias mais inusitadas do Itamaraty. Em 2012, ele entrou na embaixada brasileira em La Paz para escapar da prisão por supostos crimes contra o Estado. Após viver asilado durante 15 meses num pequeno quarto da representação, conseguiu apoio do diplomata brasileiro Eduardo Saboia para deixar o país, sem consentimento de autoridades bolivianas, numa viagem de carro de 22 horas, escoltado por fuzileiros da embaixada, até Corumbá, Mato Grosso do Sul.

Desde que passou a morar em Brasília com apoio de parlamentares de diferentes partidos, Molina tem acusado o governo Evo de persegui-lo, de intolerância contra outros opositores e de manipular a Justiça contra os adversários. Também acusou o governo do Estado de Pando, aliado de Morales, de manter relações com cartéis de cocaína. O governo da Bolívia, por sua vez, acusa o ex-parlamentar de praticar crimes de corrupção. “Eles chegaram a me condenar pelo corte de duas árvores, praticado por outras pessoas, em uma propriedade que eu tinha”, afirma. “Nunca conseguiram sustentar as acusações ao longo do processo do Conare.”

Molina relata que a decisão do governo brasileiro acaba com a sensação de incerteza e receio de ter que deixar às pressas o País, enfrentada nos 1.200 dias em que mora em Brasília. “Agora, vou pensar em reconstruir a minha vida e a vida da minha família”, ressalta. “São etapas. Não é fácil para quem tem mais de cinquenta anos abandonar seu país e recomeçar.”