O líder provisório do governo na Assembléia Legislativa, Dobrandino da Silva (PMDB), reúne hoje os deputados dos partidos que compõem a base aliada do Palácio Iguaçu para tentar recompor a unidade, quebrada com a eleição da oposição para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça.

Vice-líder alçado automaticamente à condição de titular do cargo depois da renúncia do deputado Natálio Stica (PT), Dobrandino acha que vai dar para juntar os cacos e reaproximar a bancada petista do governo. Pelo menos foi a missão que recebeu do governador Roberto Requião (PMDB), que resolveu testar o potencial aglutinador do presidente estadual do partido, antes de efetivá-lo na posição.

O peemedebista disse ontem que a bancada do PT é ?responsável? e que não vai ficar remoendo ressentimentos. ?Foi um atrito momentâneo e acredito que não teremos maiores dificuldades com o PT?, afirmou o líder em exercício da bancada governista. Para Dobrandino, a questão eleitoral está permeando as relações, mas ele acredita que ainda é possível manter a base coesa em torno de projetos do governo.

O líder em exercício acha que não terá maior influência na atuação da bancada do PT a orientação aprovada no final de semana pela maior corrente do PT no Estado, a Unidade na Luta, que abonou a tese do lançamento de um candidato próprio do partido à sucessão estadual. ?É um direito deles. O PT é um partido maduro e é perfeitamente compreensível que pense num caminho próprio. Mas nós vamos continuar a discutir sobre um entendimento com eles para a sucessão estadual?, disse.

As rivalidades políticas decorrentes da preparação dos partidos para as eleições do próximo ano tornam mais difícil o alinhamento dos aliados ao Palácio Iguaçu e muito mais com o PT, que se declarou independente. A base aliada do governador Roberto Requião é composta ainda por pedetistas e tucanos, que seguirão outros caminhos eleitorais em 2006, assim como o PPS. ?É um ano de acomodação. É a pior fase na relação entre os partidos?, disse.

Diplomacia

O representante do Palácio Iguaçu em plenário promete melhorar o diálogo entre a base de apoio e o Palácio Iguaçu, neste período. Uma das promessas de Dobrandino é fazer com que os demais deputados do bloco de sustentação tenham o mesmo tratamento que o governo tem dispensado aos peemedebistas.

Outro desafio do líder provisório é fazer o contraponto às constantes investidas da oposição contra o governo do Estado. Embora minoritária, a bancada adversária tem conseguido bombardear o Palácio Iguaçu, deixando os aliados na posição defensiva. Mas Dobrandino não quer protagonizar bate-bocas, como aqueles enfrentados pelo líder da bancada do PMDB, Antônio Anibelli, de temperamento irritável.

O líder provisório quer responder às críticas da oposição, mas sem perder a diplomacia. ?O papel do líder não é só de rebater acusações, mas fazer também a política da boa vizinhança?, disse Dobrandino, que propõe relações respeitosas entre governo e oposição. ?Não acho que o debate tenha que ser feito de maneira agressiva?, acrescentou. 

PMDB tenta reconquistar a capital

O PMDB vai tentar recuperar o terreno perdido na periferia da capital e no entorno da Região Metropolitana, onde o desempenho do partido nas eleições municipais ficou a desejar. O recém-criado Conselho Municipal do PMDB de Curitiba irá se reunir até o fim da semana para aprovar uma campanha de filiação nessas regiões, pontuada com reuniões de lideranças comunitárias. O partido já está listando os nomes que vai chamar para seus quadros. Um deles será o reitor da Universidade Federal do Paraná, Carlos Moreira. O outro será o ex-presidente da Associação Comercial do Paraná, Marcos Domakoski. A conquista de espaço na Região Metropolitana será levada a cabo por uma ação conjunta dos diretórios municipal e estadual.

Em 2004, além de perder a eleição em Curitiba, o PMDB conquistou somente as prefeituras de Cerro Azul, Adrianópolis, Quatro Barras e Campo Largo. Para tentar ampliar presença na região, o projeto do partido para as eleições do próximo ano é ter pelo menos dez candidatos à Assembléia Legislativa e Câmara Federal oriundos da capital e dos municípios vizinhos. A reestruturação do partido na Região Metropolitana começou com a decisão da executiva estadual de dissolver diretórios por insuficiência de desempenho na eleição passada.

Na primeira reunião oficial do conselho, presidido pelo deputado Alexandre Curi, será formalizada a participação dos três vereadores – Paulo Salamuni, Luiz Felipe Braga Cortes e Reinhold Stephanes – dos deputados estaduais Mário Bradock e Rafael Greca, do deputado federal Max Rosenmann e dos secretários de Estado com domicílio eleitoral em Curitiba. Também serão integrados ao conselho o atual presidente do partido, Doático Santos, e o sobrinho do governador, João Arruda Filho, que representa o setor jovem do partido. (EC)