Ao que parece, os R$ 15 milhões devidos pelo governo do Estado às empresas do transporte público de Curitiba e Região Metropolitana, e que resultou na paralisação de motoristas e cobradores nessa semana, são ‘fichinha’ perto da dívida que o governo Beto Richa tem com os servidores públicos estaduais já que, somente para os professores, segundo a APP-Sindicato, o governo deve algo em torno de R$ 120 milhões, e este impasse ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (29).

Isso porque boatos se espalharam pelas redes sociais dando conta de que o pagamento do salário de janeiro, que deve ocorrer hoje (30), não seria depositado na conta dos servidores, o que foi oficialmente desmentido pela Secretaria da Fazenda, que garantiu que o pagamento será efetuado.

Contudo, o governo ainda não deu prazo para regularizar 1/3 das férias, nem o auxílio-alimentação para os servidores que ganham até dois salários mínimos, no valor de R$ 105,00, tampouco as rescisões dos professores que atuavam em regime temporário, e que tiveram os seus contratos encerrados no mês passado.

Segundo Luiz Fernando Rodrigues, secretário de comunicação da APP-Sindicato, a situação mais complicada é a dos professores do Processo Seletivo Simplificado (PSS), contratados em regime temporário e que não receberam as rescisões.

“Desde segunda-feira (26) estamos buscando conversar com o governo e ontem (29) pela manhã fizemos um piquete na frente da sede da Secretaria da Educação e, depois de muita insistência, fomos recebidos pelo secretário, mas saímos de lá sem nenhuma garantia de que os atrasados serão pagos”.

Rodrigues disse ainda que foram rescindidos os contratos de aproximadamente 20 mil professores temporários e anunciada a contratação de 5,5 mil efetivos, e que este déficit pode prejudicar o início do ano letivo. “Há o risco de não se iniciar o ano letivo, dia 09 de fevereiro, por falta de professores”.

Os servidores da Saúde também reclamam do não pagamento de 1/3 das férias e do auxílio-alimentação e que essa situação criar um cenário de incerteza e insegurança entre os funcionários.

“Há o medo de que o pagamento prometido para amanhã não se confirme. Nem o contracheque online, que fica disponível todo final de mês para os servidores, está liberado e isso nunca aconteceu antes. Na gestão anterior do Beto havia a justificativa da herança maldita, mas e agora, qual é a desculpa?”, questionou a diretora do SindSaúde, Elaine Rodella.
Já o SindiSeab, que representa os servidores da Agricultura, Meio Ambiente e Fundepar afirmou que, além de 1/3 das férias, nenhum servidor recebeu as promoções e progressões de carreira referentes a 2014, e que não há previsão para que isso ocorra.

Resposta

Em nota, a Secretaria da Fazenda confirmou que o governo vai prorrogar o pagamento de valores adicionais ao salário dos servidores e que os valores que deixarem de ser creditados em janeiro “serão repostos com prioridade, tão logo o fluxo de caixa permitir”, mas não informou quando isso ocorrerá.

Com relação ao valor devido ao funcionalismo público estadual, a Secretaria da Fazenda não respondeu este questionamento.