Em encontro com cientistas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em São Paulo, o candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, criticou hoje o que chamou de processo de “desindustrialização” da economia nacional. “Temos um festival de importações que concorrem com a produção doméstica eficiente, mas que está prejudicada pela política monetária e cambial do governo, que é uma política anti-industrialização, antidesenvolvimento”, disse.

De acordo com Serra, o Brasil produz atualmente cada vez menos tecnologia necessária para o desenvolvimento nacional, o que faz com que o País esteja “perdendo terreno” para outras regiões. “Com os juros do jeito que estão e o câmbio do jeito que está, você vai tendo uma invasão de produtos, inclusive daqueles de maior tecnologia”, afirmou. “É a economia da pobreza tecnológica. É isso que está em jogo nessa eleição.”

No evento, os cientistas apresentaram uma pauta de sugestões de investimento no setor de ciência e tecnologia. Entre as propostas, o investimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em ciência (atualmente é 1,2% do PIB), de 6% do PIB em educação, proteção do bioma brasileiro e ampliação da participação brasileira em pesquisas de relevância internacional.

O tucano prometeu ampliar os recursos públicos para o setor e criar uma política para atrair investimentos privados. “Temos de ter uma legislação mais clara para dar segurança jurídica às empresas”, disse Serra.

Educação

Para o candidato, é preciso encarar a educação como prioridade de governo, acima das questões partidárias. “Temos de deixar a educação fora da disputa política.” Para isso, Serra propôs a criação de um Plano Nacional da Educação com metas para 10 ou 15 anos. Entre os objetivos, segundo o tucano, estariam a melhora do ensino superior federal para que as universidades voltem a formar mais profissionais. “Estamos andando para trás no ensino superior federal”, reforçou.

O candidato defendeu também que o País volte a atrair especialistas – os “cérebros” – que hoje estão no exterior e que podem contribuir para o desenvolvimento e o progresso científico. “Para que os brasileiros voltem a trabalhar no Brasil”, disse.