Quando o assunto é criar embaraços para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministérios estratégicos – Justiça, Defesa e Fazenda -, a Secretaria Especial de Direitos Humanos, a Advocacia-Geral da União (AGU), o Gabinete de Segurança Institucional e o Banco Central cumpriram nas últimas semanas, com facilidade, a tarefa que deveria caber à oposição e aos críticos do governo.

As críticas levadas a público na discussão sobre a Lei de Anistia foram suficientes para desgastar o Palácio do Planalto. Não bastasse o duelo em público, a troca de acusações nos bastidores ampliou os problemas. Preocupado com os confrontos, o próprio presidente ordenou a seus auxiliares que cessem a troca de farpas em público. A crise, porém, não estancou. O advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, por exemplo, era acusado de patrocinar um parecer contrário à punição de militares em troca do apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, na corrida por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Já os defensores do perdão para os militares diziam que o ministro da Justiça, Tarso Genro, adotou um discurso populista. Lula só interveio nessa crise na tentativa de estancar as sucessivas declarações em público. Já era tarde e os danos já eram sensíveis: o ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, cogitou deixar o cargo.

Outro foco de desgaste para o governo é a crise de relacionamento entre a PF e a Abin, ainda no rastro da operação Satiagraha, que levou à prisão o sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas. A PF acusa agentes da Abin, comandados pelo delegado Protógenes Queiroz, de praticar uma série de crimes na investigação – vazamento de informações, usurpação de função, quebra de sigilo funcional e instalação de grampos clandestinos.

A crise financeira forçou uma aproximação entre Guido Mantega e Henrique Meirelles, mas as divergências entre o ministro da Fazenda e o presidente do BC continuaram. A divergência é antiga, desde o primeiro mandato. Crítico da política de juros altos, Mantega sempre insistiu em que o BC errou na dosagem da taxa Selic para reduzir a inflação, gerando prejuízos para o crescimento. Já Meirelles foi crítico da política de expansão dos gastos adotada pela equipe de Mantega até pouco antes do agravamento da crise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.