A bancada de oposição na Assembléia Legislativa vai apresentar hoje um requerimento, convocando o secretário de Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto, para discutir a dívida da Cidade Industrial de Curitiba, motivo alegado pelo governo do Estado para a interrupção dos repasses pelo governo do Estado de recursos de empréstimos contraídos pela capital no valor de R$ 63,1 milhões.  

A decisão foi tomada após ausência de representantes do governo na reunião suprapartidária, realizada ontem pela manhã no plenarinho da Assembléia, para discutir o corte nos repasses. O líder da oposição, deputado Valdir Rossoni (PSDB), propôs a realização de audiência também com o governador Requião. ?Vamos marcar uma audiência com o Requião, se não formos recebidos faremos uma manifestação em frente ao Palácio para que ele ouça a nossa voz, porque aqui não é só a voz do governador que vale?, provocou Rossoni.

Nesta reunião com o governador o deputado Valdir Rossoni pretende incluir na lista de negociações outras cidades paranaenses, como União da Vitória, Paranaguá, Foz do Iguaçu, Pato Branco e Paranavaí, que também estariam com problemas de bloqueio de recursos por parte do governo do Estado.

Foto: SMCS de Curitiba

Beto Richa: retaliação.

Foto: Aliocha Maurício

Rossoni: convocação.

Na reunião, que contou com a presença do prefeito Beto Richa (PSDB) e do senador Osmar Dias (PDT), o secretário municipal de Finanças, Luiz Sebastiani, e o procurador Ivan Bonilha apresentaram documentos que contestavam os motivos dados pelo governo estadual para não repassar os recursos, como uma dívida da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) (que, de acordo com os técnicos da Prefeitura, a dívida, estimada em R$ 300 milhões, prescreveu em 2004) e inscrição em um cadastro estadual de inadimplência.

?É preciso colocar um ponto final nessa visão de idade média, de retaliação, perseguição. É preciso que o governo tenha um mínimo de sensibilidade porque a não-liberação das verbas de empréstimos pleiteados por Curitiba prejudica o povo curitibano e também do restante do Estado?, disse o prefeito Beto Richa, que lembrou que dependem desees recursos obras como o anel viário e o hospital gerontológico.

Já o senador Osmar Dias disse que o governo do Estado trabalha com dois pesos e duas medidas, lembrando a mobilização no mês passado para ajudar o Estado na reivindicação, junto ao governo federal, da liberação de uma multa de R$ 10 milhões. ?Quem está no poder não tem o direito de escolher a quem irá atender com os recursos do Estado. Governar para a maioria, sem distinção, é tarefa de quem foi eleito. Por isso defendo que o governo libere os recursos, não só para Curitiba, mas também para todas as outras cidades que dependem de repasses?, afirmou.