Requião quer estimular crescimento
e priorizar setores mais carentes.

O governador Roberto Requião revelou ontem em Curitiba, durante encontro realizado no Canal da Música com proprietários e editores de veículos de comunicação do Estado, que o Paraná detém a menor taxa de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Sul do País.

“Somos a quinta economia do País, mas com o IDH abaixo da média brasileira”, afirmou o governador, com base no diagnóstico social e econômico do Estado elaborado pelo Ipardes (Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social).

No encontro, além de traçar um quadro sócio-econômico do Paraná, Requião também apresentou as novas diretrizes do governo, voltadas para os setores mais carentes da sociedade. Segundo o governador, as metas foram elaboradas a partir do conhecimento profundo da realidade do Estado. Requião disse que “todos os paranaenses precisam conhecer a realidade do Paraná e a mídia tem o poder de mostrar a real situação do Estado”. O governador anunciou ainda que irá divulgar essa semana um edital de licitações públicas das publicações do governo.

Ele fez o relato da situação do Estado ao lado do vice-governador, Orlando Pessuti, dos secretários estaduais Airton Pissetti (Comunicação), Eleonora Bonato Fruet (Planejamento), Renato Adur (Desenvolvimento Urbano) e Heron Arzua (Fazenda) e ainda do presidente da Copel, Paulo Pimentel.

No setor de segurança pública, o governador considerou que muitas das medidas que estão sendo implementadas já começam a dar resultados positivos e voltou a frisar que vai acabar com a chamada “banda podre” da polícia, valorizando os bons profissionais. Ele lembrou algumas ações desenvolvidas pelo atual governo – como o fechamento das casas de bingo, a mudança na legislação, a integração do Ministério Público e da Associação dos Magistrados na Operação Mãos Limpas. “Eu fechei os bingos, e vocês vão se surpreender com as revelações que o Ministério Público irá fazer da ligação dessas casas com o crime organizado”, afirmou.

Requião disse ainda que a frota do governo estadual deverá ser formada por veículos produzidos pelas montadoras instaladas no Paraná. Para que isso aconteça, frisou Requião, será preciso rever os contratos com estas empresas e “paranizar” a produção, ou seja, utilizar produtos e mão-de-obra paranaense na fabricação dos veículos. Requião também lembrou que o programa do leite – que inicia dia 15 pelas regiões carentes como a Vale do Ribeira – não será um projeto de caridade, mas sim uma ação de incentivo para o setor pecuário.

Requião anunciou ainda outras medidas que deverão ser efetivadas pela administração estadual, como o fechamento do curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), criado no ano passado, cuja primeira turma iniciou o ano letivo em 2003 (leia mais sobre este assunto na página 9). Segundo Requião, a abertura do curso foi uma irresponsabilidade do governo anterior. O governador disse ter consciência, porém, de que sua atitude poderá lhe render um desgaste político. “Não serei irresponsável de deixar funcionar um curso sem estrutura. Além do mais, o fechamento vai representar uma economia para o Estado”, afirmou.

Informações surpreendem empresários

As informações divulgadas ontem pelo governador Roberto Requião e por sua equipe de governo causaram surpresa entre os empresários da comunicação do Estado. O presidente do Sindicato dos Proprietários de Jornais e Revistas, Abdo Aref Kudri, disse que ficou surpreso com os números apresentados pelo governo.

“Infelizmente, há muita surpresa no estabelecimento dos contratos firmados pela Copel com as grandes empresas”, comentou, referindo-se às operações fraudulentas realizadas no governo passado entre a estatal e várias empresas privadas. Sobre os contratos que sinalizam crimes contra o Estado, Kudri disse: “Eles têm que ser apurados e, se forem comprovados, os responsáveis devem ser punidos. É preciso que haja punição para quem não conduziu bem a administração estadual”, afirmou.

Paulo Pimentel ressaltou que o encontro do governador com os representantes de veículos de comunicação foi uma iniciativa inédita e que demonstra a transparência da administração estadual com a sociedade paranaense. “Requião mostrou que valoriza a imprensa livre”, disse Paulo.

A mesma opinião é defendida por Kudri, que considera fundamental o apoio da mídia para validar as ações do governo. Ele elogiou a disposição do governador em reunir os empresários do setor. “É uma iniciativa que cria um canal de comunicação aberto com os veículos de comunicação”, comentou.

Para o empresário Francisco Cunha Pereira Filho, da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), o governador e sua equipe expuseram a situação do Estado de forma clara e objetiva. “O encontro é importante para que os empresários tenham noção mais clara do que acontece no Estado”, declarou. O empresário também considerou as iniciativas do governador na área de segurança pública importantes para garantir maior tranqüilidade à população do Paraná.

O diretor-geral da TV Tarobá, Jorge Guirado, também se mostrou surpreso com as revelações da equipe de governo. Ele disse que os índices de IDH do Paraná, que estão abaixo da média da região Sul, são preocupantes. O empresário tem certeza que muita gente não tem conhecimento dessa realidade. Para Guirado, as revelações feitas por Requião são “revoltantes” e têm que ser apuradas.

Copel estimulará crescimento do Estado

Rosângela Oliveira

As medidas a serem tomadas pelo Palácio Iguaçu em relação à Copel e aos contratos irregulares firmados pela empresa no governo anterior para a venda e compra de energia elétrica também foram detalhadas pelo governador Roberto Requião. Ele afirmou que vai fazer com que a Copel volte a investir na construção de usinas de geração de energia de médio porte, tornando-a um agente de desenvolvimento econômico. E disse que irá pessoalmente negociar com as empresas envolvidas uma solução menos prejudicial à economia do Estado.

Além disso, anunciou que vai utilizar a energia elétrica do Paraná como uma atração para a instalação de empresas. “Quem se instalar em região com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) vai pagar menos pela energia e ainda terá um diferencial no pagamento do ICMS (Imposto Sobre Mercadorias e Serviços)”, afirmou Requião.

Complementando as informações fornecidas pelo governador, o presidente da Copel, Paulo Pimentel, disse que a empresa vai brigar na Justiça para anular os contratos fraudulentos que foram firmados e hoje colocam a estatal diante de uma complicada situação financeira. Paulo afirmou que para este ano a empresa tem orçado R$ 240 milhões para investir na recuperação de linhas e cabos. “Por falta de manutenção no governo passado, este equipamento está gerando apagões em algumas regiões do Estado, como o Litoral, disse Paulo, que também é presidente licenciado do GPP (Grupo Paulo Pimentel).