O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, rebateu hoje as críticas do pré-candidato tucano José Serra em seu artigo publicado ontem pelo jornal O Estado de S.Paulo, em que o ex-governador criticou a política educacional do governo federal, mais precisamente o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para Haddad, que foi ministro da Educação do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, Serra precisa de traquejo para lidar com a área de educação. “Penso que é falta de traquejo (de Serra) com a educação”, avaliou o petista, em visita à região de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.

No artigo de Serra, o tucano compara a qualidade da educação no Brasil aos níveis de Chile, Uruguai e México. Haddad disse, porém, que o Estado de São Paulo, embora seja o mais rico do País, tampouco atinge o nível de qualidade na educação desses três países. “Acho estranho que ele não conheça os indicadores do Estado que eles (PSDB) governam há 20 anos, sendo que São Paulo tem uma renda per capita superior à desses países e o Brasil tem renda inferior à desses países”, completou.

Haddad disse ainda que não entende de onde vieram os indicadores mencionados por Serra. “No que diz respeito à educação, é um desarrazoado de indicadores que eu não sei de onde saíram”, disse. Haddad disse que não encarou as críticas como ataque pessoal a ele, mas sim a uma postura sistemática de oposição de Serra aos governos de Lula e de Dilma. “Eu entendo que o pré-candidato Serra tem uma postura de oposição sistemática desde a posse do presidente Lula. Não seria diferente no caso da educação”, afirmou.

Na avaliação de Haddad, PSDB e DEM são contra o Enem e os programas do governo federal, como o Programa Universidade para Todos (Prouni), que ampliou o acesso de estudante de baixa renda ao Ensino Superior. Ele citou ainda a Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) impetrada pelo DEM contra o Prouni. “Querem aquele velho Enem, que não trazia nenhuma consequência como o Prouni, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e o Financiamento Estudantil (Fies), programas que dependem do Enem”, afirmou.

Segundo ele, não é razoável que o tucano seja contrário a um programa aprovado pela maioria da população. “Um programa que tem 83% de aprovação da população receber críticas por ter sido alvo de uma ação criminosa não é razoável. Se não tivesse sido alvo de uma ação criminosa, eu entenderia”, disse o ex-ministro da Educação, referindo-se aos episódios de vazamento da prova nos últimos anos.

Haddad considerou que as críticas de Serra refletem sua visão divergente das políticas públicas instituídas pelo PT nos últimos anos. “Ele tem outra visão dos rumos do País, quer reverter os processos em curso, enquanto a comunidade internacional celebra os feitos do Brasil. O candidato parece viver em outra dimensão”, provocou.