O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB) disse nesta quinta-feira que a Comissão vai insistir na realização de acareações envolvendo o ex-gerente de Serviços da Petrobrás Pedro Barusco. O parlamentar e outros integrantes da CPI se reuniram na noite de hoje com o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu liminar suspendendo acareação marcada entre Barusco e outros dois investigados na Lava Jato.

Sem dar detalhes, Motta disse ao sair da reunião que a CPI insistirá em acareações envolvendo Barusco. A Comissão havia agendado em julho duas sessões em que o ex-gerente teria suas declarações confrontadas com o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque e com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

O presidente da CPI disse ainda que novos encontros com ministros da Suprema Corte estão previstos para a próxima semana. “Devemos ir ao Barroso na próxima semana e ao Teori (Zavascki) para insistir na realização das acareações que são, sem dúvida nenhuma, importantíssimas para a conclusão de nossos trabalhos”, explicou.

Motta disse que a conversa com o decano do Supremo serviu para “aprimorarmos o trabalho que nós estamos fazendo, colocando e acatando as sugestões feitas pelo ministro Celso de Mello. Com certeza a CPI poderá melhorar e ser mais célere e sem a necessidade de o Judiciário estar se posicionando acerca dos nossos trabalhos”, disse.

Em pedido encaminhado ao Supremo em julho, a defesa de Barusco solicitou que fossem suspensos os depoimentos, alegando que o delator sofre de câncer ósseo e que a participação nas acareações poderia agravar o seu estado de saúde. O pedido, embora seja de autoria do ministro Luís Roberto Barroso, foi decidido por Mello, que estava na presidência da Corte durante o período de recesso do Judiciário.

Motta disse ainda que Barusco “pode muito bem comparecer à CPI” e que serão colocados à disposição do delator toda a estrutura que a Câmara dos Deputados tem. “Para que ele possa participar das nossas investigações, fazer contribuições para os nossos trabalhos e não ter o agravamento do seu quadro de saúde”, disse. Contudo, o parlamentar evitou comentar se o ex-gerente mentiu sobre seu estado de saúde. Logo depois da decisão do Supremo , Barusco foi flagrado pela revista Veja fumando charuto em sua casa, no litoral do Rio de Janeiro. “Dizer que seu médico faltou com a verdade seria precipitado.”

Questionado sobre se gera preocupação as decisões desfavoráveis que o STF vem dando à CPI, Motta disse que isso foi levado a Mello. “Estas questões puderam ser debatidas com o ministro mais experiente da Corte Ele disse que quando a Corte decide não é com a intenção de interferir no trabalho da CPI , mas sim de o Supremo Tribunal Federal garantir os direitos que toda pessoa tem”, explicou.