O ministro da Previdência Social, Carlos Gabas, afirmou que a idade média de aposentadoria no Brasil, por consequência de ter idade mínima, é baixa. A fala dele ocorreu em entrevista à imprensa após uma reunião entre o governo e as centrais sindicais. Ele ponderou que essa idade é baixa principalmente se for levado em consideração que a expectativa de vida é de 80 anos. “A situação que nós encontramos agora é fruto de uma discussão como essa no passado”, disse. Ele explicou que caso a regra 85/95 seja aprovada, haverá uma economia para os cofres públicos no curto prazo em decorrência de que parte das pessoas deve adiar a aposentadoria. No médio e longo prazo, no entanto, haverá uma explosão dos gastos.

O ministro afirmou, apesar de tentar se colocar em cima do muro sobre o veto à emenda, que o encontro com as centrais sindicais foi para apresentar o cenário no qual a previdência se encontra. “A reunião de hoje foi a continuidade de um debate. Ela teve o objetivo específico de mostrar em qual cenário nos encontramos para mostrar qual decisão a presidente Dilma tem de tomar”, disse Gabas.

Ele argumentou que o governo já tinha estudos para apresentar sobre a sustentabilidade da previdência, mas que a aprovação da emenda no Congresso, que cria a regra 85/95, antecipou o debate. “A aprovação da emenda antecipa uma discussão de uma forma que para nós é insustentável porque ela não abrange toda a discussão que nós fizemos com as centrais sindicais”, afirmou. “Essa solução agrava a situação da previdência social”, alertou.

Gabas ainda abordou a demografia brasileira ao explicar como essa fórmula aprovada pelo Congresso pode ser prejudicial à previdência. Segundo ele, as pessoas estão vivendo mais e, até 2060, mantidas as regras de hoje, a situação será insustentável. Ele argumentou que, no futuro, a base de jovens não terá condições de sustentar os idosos dentro da previdência e, com isso, teremos um sistema previdenciário inviável. “É isso que estávamos mostrando para as centrais sindicais”, disse.

“Em 2060, teremos 50 milhões a mais de pessoas idosas. Teremos de mudar as políticas de saúde, de habitação, teremos de ter um sistema público capaz de atender à demanda”, ponderou o ministro ao explicar que o modelo de repartição, onde os trabalhadores na ativa financiam a aposentadoria de quem está parado, não fecha. “Já antes de 2030 essa conta não fecha”, garantiu.