A queda na popularidade da presidente Dilma Rousseff, registrada pela pesquisa CNI/Ibope, mostra que a alta dos preços finalmente atingiu a percepção e o bolso do eleitor. “A economia estava ruim, mas o que afeta a população é a inflação e as pessoas começaram a sentir”, avaliou Renato da Fonseca, gerente-executivo de pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Apesar de a economia ter dado há algum tempo sinais de desaquecimento, a população ainda não compreendia o significado do baixo crescimento econômico, e sim o combate ao desemprego, um dos setores mais bem avaliados na pesquisa. Agora, o cenário econômico mudou a realidade vivida no dia-a-dia da população atingiu diretamente a avaliação do governo. “A correlação entre popularidade de um presidente e a questão econômica é muito alta”, afirmou Fonseca.

O fato de a inflação ter crescido aparece no dado. Segundo o executivo, foi a principal razão para a queda de 8 pontos na avaliação do governo.

Quanto à onda de protestos e seu poder de afetar a imagem do governo nas próximas pesquisas, Fonseca acredita que é preciso entender melhor o fenômeno. “A maneira como esse protesto será elucidado, se as questões serão discutidas, e aí tanto pela presidente quanto por governadores ou por prefeitos, isso vai afetar a opinião da população. Ou seja, não só o protesto em si, mas como o governo vai lidar com esse protesto.”