A agência de classificação de risco Standard & Poor’s divulgou relatório estabelecendo comparações entre Rússia e Brasil. Segundo a agência, o principal fator a diferenciar os ratings de crédito soberano dos dois países é que a Rússia tem instituições mais fracas que as brasileiras.

O relatório aponta que os ratings de crédito soberano da Rússia e do Brasil seguiram trajetórias similares ao longo da última década, nas categorias BB e BBB. “Em 2014, nós reduzimos os ratings de longo prazo em moeda estrangeira tanto do Brasil quanto da Rússia para BBB-. Porém nós subsequentemente rebaixamos a Rússia para BB+ em janeiro de 2015”, diz a S&P. “A perspectiva para o Brasil agora é estável, enquanto a da Rússia permanece negativa, indicando a possibilidade de que nós possamos reduzir mais os ratings nos próximos um ou dois anos.”

De acordo com a S&P, problemas na eficácia institucional do governo russo e na formulação de políticas constrangem o rating soberano desse país e contribuíram para rebaixamentos recentes de rating. “Nós vemos pouca evidência de que a eficácia institucional do governo e da formulação da política estão melhorando”, afirmou na nota o analista de crédito Trevor Cullinan, da S&P.

Por outro lado, a S&P vê no Brasil comparativamente uma eficácia maior, mais estabilidade e maior previsibilidade na formulação das políticas, nas instituições políticas e na sociedade civil. A analista Lisa Schineller diz que as instituições políticas brasileiras mostram um amplo compromisso com políticas para manter a estabilidade econômica, “como exemplificado pelas várias mudanças políticas atualmente em andamento”. A analista diz que a expectativa de que o governo brasileiro irá implementar essas “correções políticas apoiam o rating soberano e a perspectiva estável”.

A S&P diz que a principal diferença entre os países é a avaliação institucional. “Nós consideramos as instituições e a formulação da política do governo como fraquezas para a Rússia e como neutras para o Brasil”, diz a agência.

A S&P ressalta que essa comparação não faz parte de uma ação de seu comitê de rating e não deve ser interpretada como uma mudança ou uma reafirmação dos ratings e das perspectivas dos países.