Três novas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha previstas para serem divulgadas até o final desta semana foram registradas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) nos últimos dias.

A primeira pesquisa Datafolha, encomendada pela RPC-TV e pelo jornal Folha de São Paulo, deve ser coletada hoje e amanhã, quando o resultado já pode ser liberado, caso nenhuma coligação ou partido político faça um pedido de impugnação.

A previsão é de 1.490 eleitores entrevistados, aos cargos de governador e senador. Na semana passada, pesquisas de VoxPopuli, Datafolha e Ibope foram impedidas de serem divulgadas, depois que a coligação “Novo Paraná”, do candidato Beto Richa (PSDB) obteve liminar junto ao TRE, questionando a metodologia adotada pelos institutos.

Registrada no último sábado, nova pesquisa Ibope com intenções de voto para presidente, governador e senador deve ser feita entre a próxima quarta-feira e sábado, véspera das eleições. Estão previstos 2.002 entrevistados.

Para esta pesquisa mais recente, o Ibope mudou o formato do registro, discriminando percentuais dos entrevistados, para não sofrer contestações. Na sexta-feira e no sábado é dia de coleta de mais uma pesquisa Datafolha com intenção de voto para governador, além de presidente, senador e deputados, com 2.170 entrevistas.

Em relação a possíveis novas impugnações, a coordenadoria jurídica da coligação de Beto Richa não confirmou que sim, nem que não, até o fechamento desta edição. “Ainda não nos debruçamos sobre o assunto, talvez amanhã (hoje)”, respondeu o advogado da coligação, Ivan Bonilha.

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Márcia: só no Paraná aconteceu isso.

O argumento para as impugnações anteriores foi o plano amostral, que não discriminava percentuais de faixas etárias, sexo e grau de instrução. A diretora-executiva do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari, defende a metodologia empregada.

“A gente está trabalhando em todos os estados da federação, regularmente, e em nenhum outro estado isso foi questionado. Foi só no Paraná e só agora”, lembra. “O plano amostral está completamente descrito no registro, conforme prevê a legislação eleitoral. Nesse momento foi interpretado que discriminar o plano amostral significa apresentar os percentuais”, argumenta Márcia.

De acordo com o Ibope, todos os questionamentos foram respondidos à Justiça Eleitoral e mesmo assim a divulgação da pesquisa foi barrada. “Na nossa defesa foram apresentados os percentuais e mesmo assim não foi aceito. Depois, a alegação foi a fonte”, lembra Márcia.

As fontes utilizadas para determinar a pesquisa são do Tribunal Superior Eleitoral e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Não podemos usar os dados do TRE porque o mesmo não é atualizado. Por exemplo, com relação a grau de instrução, são dados do último recadastramento”, justifica. “Quem acaba perdendo com tudo isso é o eleitor paranaense que fica sem a informação, que é um direito constitucional”, opina.