A Polícia Federal confirmou ontem que constam nos autos dos processos referentes à Operação Dallas (que investiga irregularidades no Porto de Paranaguá) gravações telefônicas e trocas de emails que indicariam que o ex-superintendente do Porto de Paranaguá Eduardo Requião seria o maior beneficiado da cobrança de propina para a licitação para a compra da draga chinesa por R$ 46 milhões pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa).

Segundo os documentos, o ex-superintendente preso, Daniel Lúcio de Oliveira de Souza, fala que Eduardo Requião receberia US$ 2,5 milhões (R$ 4,2 milhões) em propina caso a compra fosse concretizada.

Outros US$ 2,5 milhões seriam divididos entre Souza, o suplente do ex-governador Roberto Requião (PMDB) no Senado, ex-secretário Luiz Mussi e, também, o ex-chefe de gabinete de Requião e ex-secretário de Saúde, Carlos Augusto Moreira Júnior.

Domingo, sete dos dez presos durante a operação foram liberados. Outros dois deveriam deixar a prisão até o fim do dia de ontem, já que suas prisões temporárias expiraram.

Já o ex-superintendente Daniel Lúcio Oliveira de Souza também investigado, continua preso no Rio de Janeiro. Na semana passada, a Justiça de Paranaguá decretou a prisão preventiva de Souza, alegando que se ele fosse solto poderia prejudicar as investigações.

O ex-superintendente deve ser transferido para a sede PF em Curitiba ainda nesta semana, mas não há data confirmada. Ele foi preso sob a acusação de ter participado da contratação irregular de empresas que atuam no Porto de Paranaguá. Essas empresas atuavam na área ambiental e na área de limpeza do Porto.

Durante a operação Dallas, dez pessoas foram presas e 29 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. A operação, deflagrada para apurar o desvio de carga de grãos no Porto de Paranaguá, constatou fraude nas licitações para a compra da draga, a contratação, também irregular, das empresas que fariam estudos ambientais e a limpeza do Porto. Segundo a PF, Souza não teria envolvimento com o desvio de cargas, mas com as fraudes nas licitações.

Eduardo Requião e Luiz Mussi também tiveram as prisões temporárias pedidas pela PF, mas elas não foram concedidas pela Justiça. Ambos estariam envolvidos nas fraudes licitatórias e há indícios de que estariam recebendo valores por conta disso.

Neste caso, a Justiça não concedeu a prisão temporária, segundo a PF, por não considerar que houve formação de quadrilha. Pela legislação, só crimes contra o sistema financeiro, de homicídio, sequestro, roubo, extorsão, estupro, atentado violento ao pudor, tráfico de drogas formação de quadrilha, são passíveis de prisão temporária.