O ministro da Defesa, Jaques Wagner, afirmou no início da tarde desta quarta-feira (15) que “pessoalmente” não vê motivo para o afastamento imediato do PT do tesoureiro do partido, João Vaccari, preso pela manhã em mais uma fase da Operação Lava Jato.

“Eu não sou muito do estilo de que, na suspeita, a gente vai logo se livrando. Não acho que por aí se resolve nada. Se tiver culpas do partido, ele tem que revisitar, e vai fazê-lo agora no seu congresso. Tem que saber onde é que errou e como é que se trabalha para não errar de novo”, disse o ministro em entrevista coletiva durante a feira de defesa e segurança Laad, no Riocentro.

Antes da declaração, o ex-governador da Bahia frisou que não falava em nome do governo nem do PT. Ele defendeu uma reforma política que “acabe ou limite muito” o financiamento privado de campanha e afirmou que escândalos não são prerrogativa do seu partido.

“Quero deixar bem claro aqui que não falo como governo, porque a investigação corre sob responsabilidade da Justiça Federal e do Ministério Público Federal, e nós estamos mantendo o tempo todo a independência e a harmonia entre os poderes, então não me cabe aqui fazer juízo de valor sobre a detenção. Imagino que o MP e o juiz Sérgio Moro apresentarão aos advogados e depois publicamente os motivos da detenção”, declarou o ministro.

“Como petista, (penso que) qualquer partido brasileiro é entidade de direito privado, portanto o Vaccari não faz parte do governo. Pessoalmente, não estou dizendo que essa é a posição do partido, porque eu sei que tem pessoas que pensam diferente, eu não vejo motivo, a não ser pela impossibilidade dele exercer seu cargo, que ele tenha que sair até que se conclua definitivamente as investigações.”

Articulador político no governo, o ministro voltou a defender a reforma política, afirmando que a legislação eleitoral está viciada e superada. “Se quisermos não nos assustar com outros episódios semelhantes, acho que a bandeira é a da reforma política, porque a máquina de fazer política está viciada. Não é um escândalo. A coisa errada é que a legislação política e eleitoral brasileira está superada, viciada”, disse.

“Tem que punir quem ficou comprovado que cometeu crime e preparar um ambiente mais sadio para o exercício da política, que não pode ser caso de polícia. Se ela em alguns momentos está sendo, então tem algum equívoco, até porque não é prerrogativa do meu partido. Está errado financiamento de campanha, está errado coligação proporcional, está errado o mercado do tempo de televisão.”

Sobre a presidente Dilma, o petista afirmou que “se tem alguém que está distante disso tudo é ela”. “Algumas coisas não colam, mesmo que a oposição queira. Naquela senhora, isso não tem aderência.”