A CPI das fake news, que apura disseminação de notícias falsas nas eleições presidenciais de 2018, aprovou, nesta quarta-feira (23), requerimentos para a convocação de diversas pessoas. Entre eles, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, a deputada e ex-líder do governo, Joice Hasselmann (PSL-SP) e o empresário Luciano Hang, dono da Havan. O requerimento para convocar o filho do presidente da República Carlos Bolsonaro deverá ser analisado nas próximas sessões.

Oposição dominante

Foco de preocupação do governo Jair Bolsonaro, a CPI tem sido dominada pela oposição. Dos 92 pedidos aprovados no colegiado desde seu início, em setembro, 85 foram de parlamentares do PT, PSB ou PDT. O único requerimento ‘governista’ foi do senador Eduardo Gomes (MDB-TO), novo líder do governo no Senado. Ele pediu uma audiência pública com especialistas e representantes de Google, Facebook e Twitter.

A ofensiva de opositores deve ganhar força após a ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), apontar a ligação de filhos de Bolsonaro com uma rede organizada para espalhar fake news e atacar adversários. As declarações da deputada foram dadas durante entrevista na segunda-feira (21) ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Quem também entrou na ‘convocação’ são os integrantes do “gabinete do ódio”, núcleo com forte influência sobre o presidente.

 

‘Gabinete do ódio’

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agencia Brasil

Nem a presença do novo líder do PSL, o deputado Eduardo Bolsonaro (SP), evitou nova derrota do governo na CPI. Deputados e senadores do colegiado aprovaram a convocação do secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, e do assessor especial da Presidência, Felipe G. Martins, além de integrantes do chamado “gabinete do ódio”.

O termo é usado internamente no governo para se referir ao núcleo composto pelos assessores da Presidência Tércio Arnaud Tomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz. Os três foram convocados, o que significa que serão obrigados a comparecer à CPI. Ainda não há data para que isso ocorra.

Defensor da pauta de costumes, o grupo é ligado ao vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente, responsável pela estratégia de comunicação da campanha do pai no ano passado. Entre as funções que o grupo exerce no governo está a atualização das redes sociais da Presidência da República.

Bolsonaristas

A CPI também aprovou convites a ex-aliados de Bolsonaro, entre eles o ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido após entrar em confronto com Carlos Bolsonaro. Ele foi convidado, então pode escolher se aceita falar aos parlamentares.

A oposição conseguiu ainda chamar o ex-líder do PSL na Câmara Delegado Waldir (GO), e os empresários Luciano Hang e Otávio Oscar Fakhoury, apoiadores da campanha do presidente.

Carlos Bolsonaro

Parlamentares chegaram a discutir, durante a sessão, se convocariam Carlos Bolsonaro para prestar depoimento. O pedido, porém, não chegou a entrar na pauta. Na semana passada, o vereador licenciado admitiu administrar as redes do pai.

Diante da possibilidade, o líder do PSL, Eduardo Bolsonaro, não mostrou incômodo. “Se quiserem chamar o Carlos que chamem. Para mim é indiferente. Seria até bom porque ele falaria umas verdades”, afirmou o deputado. O próprio Carlos sinalizou que pode ir à CPI. “Vamos lá falar umas verdades a estes porcarias!”, postou no Twitter ao comentar uma notícia sobre o assunto.

Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná
Foto: Átila Alberti/Tribuna do Paraná

Lula e Dilma

Comandada por Eduardo, a bancada governista tentou votar em bloco os 96 requerimentos para incluir na lista de convocados os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva. A manobra foi rejeitada por 12 a 9.

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