O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo referente à Lava Jato começa na semana que vem, com audiências para ouvir testemunhas do caso. Segundo informações da Agência Brasil, Lula foi intimado na quinta-feira (17), a pedido do juiz Sergio Moro, a comparecer à sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, nos dias 21, 23 e 25 de novembro (segunda, quarta e sexta) para participar de depoimentos de processos da Lava Jato nos quais é réu. A reportagem apurou que, apesar da intimação, Lula não vai comparecer às audiências. A defesa dele pediu para que apenas advogados do ex-presidente estivessem presentes; Moro aceitou.

Nos três dias, serão ouvidas as 12 testemunhas de acusação do processo – no qual Lula é acusado de ter recebido propina por meio da reforma de um apartamento tríplex no Guarujá (SP) e do armazenamento de bens dele. Na segunda-feira (21), serão vão falar os empreiteiros Augusto Mendonça, Dalton Avancini e Eduardo Hermelino e o ex-senador Delcídio do Amaral.

Na quarta-feira (23), será a vez do ex-deputado Pedro Corrêa (PP), dos ex-diretores da Petrobras Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa, e do ex-gerente da estatal Pedro Barusco. Os depoimentos do doleiro Alberto Youssef, do pecuarista José Carlos Bumlai, e dos lobistas Fernando Baiano e Milton Pascowitch serão na sexta-feira (25).

Críticas da defesa

Em nota encaminhada à imprensa na quinta-feira (17), os advogados de Lula criticaram o agendamento para a próxima semana do início do julgamento de Lula “sem que haja qualquer medida jurídica eficaz, neste momento, para garantir ao nosso cliente um órgão judicial independente e imparcial”.

Defensores do ex-presidente estão em viagem ao exterior para apelar ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. A intenção, segundo os advogados, é que o comitê “tenha conhecimento de que as garantias fundamentais de Lula continuam sendo violadas e que ele começará a ser julgado a partir da próxima semana por um juiz que claramente perdeu a sua imparcialidade”. Lula argumenta na ONU que Moro é parcial e que seu direito à ampla defesa está sendo negado.

Marisa e Okamotto

A esposa do ex-presidente, Marisa Letícia, e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, ambos réus da mesma ação penal.