O governador decidiu romper uma
parceria de quase trinta anos.

O governador Jaime Lerner (PFL) não vai apoiar a pré-candidatura do deputado federal Rafael Greca ao governo do Estado, provocando rachaduras numa amizade de quase trinta anos e rompendo uma parceria política de dezessete anos.

Na convenção do PFL do próximo sábado (dia 15), Lerner defenderá a aliança com o PSDB e o PPB, que terá como candidato ao governo um tucano, o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa. A posição de Lerner foi confirmada ontem por sua assessoria, no dia seguinte à áspera conversa entre o governador e o deputado, que não aceitou a proposta de trocar a pré-candidatura ao governo pela disputa por uma das vagas ao Senado na aliança governista.

A conversa, mantida na noite de anteontem, foi a última tentativa de Lerner para um entendimento com o deputado. Segundo a assessoria do governador, acabaram as perspectivas de acordo e a decisão sobre a participação do PFL na sucessão de Lerner será mesmo no voto. A disputa, na convenção, era tudo o que o governador não queria. Ele desejava uma união de forças para a sua sucessão. Por meio de sua assessoria, Lerner disse que a posição política de Greca está equivocada e que não achou boa a conversa com o deputado. Lerner sempre defendeu que o candidato da aliança fosse aquele que aglutinasse o apoio de todos os partidos coligados.

Apesar de tudo, o governador acredita que sua amizade com Greca está preservada, porque não considera que a desavença política vá refletir no campo pessoal.

Na avaliação do governador, o deputado está se isolando. No encontro de segunda-feira à noite, Lerner apelou a Greca para que se integrasse ao grupo que trabalha pela aliança, argumentando que, para ser vitorioso na convenção de sábado, o deputado teria que ter articulado antecipadamente o apoio a sua candidatura dentro do partido. Lerner duvida que Greca consiga construir uma coligação com PPS, PTB e PPB. Para o governador, a convenção irá apenas homologar as negociações políticas mantidas ao longo do ano passado com os partidos que dão sustentação ao seu governo.

Choque

Esta vai ser a primeira vez que Greca e Lerner estarão publicamente em lados opostos. Em 1992, Lerner preferia indicar na disputa pela sua sucessão na Prefeitura de Curitiba o então presidente do Ippuc (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba), Cássio Taniguchi. Mas Greca mobilizou a base do PDT, partido ao qual os dois estavam filiados à época, e conseguiu ser indicado. Publicamente, não houve qualquer manifestação do desagrado do então prefeito de Curitiba, que assumiu o papel de principal cabo eleitoral de Greca.

Em 1998, um novo conflito entre os dois. Greca queria ser candidato ao Senado, mas não foi bem sucedido. Sem mais delongas, já governador, Lerner compôs sua chapa à reeleição sem candidatura ao Senado. Greca concorreu à Câmara Federal, obtendo a maior votação entre os deputados federais do PFL e a maior já registrada no Estado.

Registro será feito hoje

O deputado federal Rafael Greca registra hoje à tarde sua pré-candidatura ao governo junto ao diretório estadual do PFL. Sem disfarçar sua mágoa com a posição de Jaime Lerner, o deputado disse que, mesmo enfrentando a resistência do governador, vai até o final com sua pré-candidatura. “Pessoalmente, foi uma decepção, porque eu sempre o apoiei, desde os dezessete anos. Terei que refletir depois sobre isso. Politicamente, entretanto, registro minha candidatura e vou trabalhar redobrado para obter a maioria do partido”, afirmou.

Greca disse que estava pronto para ter o apoio do governador e defendê-lo dos ataques que fatalmente serão desferidos pelos adversários na campanha eleitoral deste ano. “Eu teria muito prazer em defender o governador das críticas que ele certamente receberá dos ex-governadores e do candidato do PT. Mas já que o governador dispensou o meu apoio, ele que busque junto ao candidato do PSDB a eloquência, que certamente vai precisar, para se defender na campanha”, contra-atacou o pefelista.

O deputado disse que, se sua candidatura ao governo for aprovada na convenção de sábado, tem até o final do mês para fechar alianças com outros partidos. “Eu estou indo buscar o apoio de outros partidos, como PPB, PPS e PTB. É a minha tentativa de salvar o PFL do entreguismo. A resolução da executiva nacional do PFL me dá o direito de fechar essas alianças depois da convenção”, afirmou o deputado.

Greca contestou a afirmação de que está isolado no PFL. “Eles verão, sábado, no Restaurante Madalosso, quem me acompanha e quem está de fato isolado”, disse o deputado, que afirma ter maioria entre os convencionais do partido.

Ele afirmou que não poderia aceitar a proposta do governador para disputar uma das vagas ao Senado. “Numa chapa majoritária que já nasce morta, não é boa uma candidatura ao Senado. Além do mais, o meu destino já não me pertence. O Paraná inteiro, que não se acovardou, está me pedindo para ser candidato ao governo”, declarou.