Lerner: o governador não quer ficar
observando a cena à distância.

O governador Jaime Lerner (PFL) resolveu se envolver nas articulações eleitorais para tentar impedir que o seu partido seja escanteado na hipótese de um acordo entre o PSDB e o PMDB do Paraná. Lerner iria se reunir ontem à noite no Palácio Iguaçu com o candidato do PSDB ao governo, Beto Richa, e o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL).

De acordo com sua assessoria, Lerner pretendia definir os rumos da campanha do tucano ao governo. Fora da coligação em torno do senador tucano José Serra na sucessão presidencial, o PFL vem sendo apontado por setores do PMDB como descartável nas negociações com o PSDB. Os deputados estaduais do PMDB não admitem dividir o palanque com os correligionários de Lerner, adversário histórico do senador Roberto Requião, pré-candidato peemedebista ao governo do Estado.

“É difícil engolir o PFL. Não pessoalmente, mas em tudo o que o partido representa”, afirmou o líder da oposição na Assembléia Legislativa, deputado Waldir Pugliesi. Para o líder da bancada do partido, deputado Nereu Moura, uma proposta de coligação envolvendo o PFL seria derrotada na convenção do partido, no sábado. Outro peemedebista, deputado Orlando Pessuti, disse que, depois de oito anos de oposição ao governo Jaime Lerner, o PMDB não teria como justificar para o eleitor uma composição com o adversário.

Já o PFL se mostra mais flexível a uma eventual aliança com o PMDB. O líder do governo na Assembléia, deputado Durval Amaral, afirmou que seu partido não teria problemas em participar de uma chapa única com o PMDB para a disputa proporcional, desde que nesta composição fosse mantida a candidatura de Beto ao governo. “Apoio não se rejeita. Por mais que tenhamos diferenças históricas, é possível sentarmo-nos à mesa com o PMDB, desde que eles venham com a intenção de apoiar o Beto Richa para o governo”, disse.

Amaral afirmou que o seu partido está longe de assumir o papel de “patinho feio” da coligação. “São 350 prefeituras, 6min no horário eleitoral gratuito e a máquina do governo. Um partido assim não sai do jogo. Vai até o final”, afirmou o deputado, minimizando as resistências peemedebistas. “Se perdemos um grande amor (o PPB, que se aliou ao PDT do senador Alvaro Dias), estamos abertos para um novo, nem que não seja muito fiel”, brincou Durval Amaral.