O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), anunciou nesta segunda-feira (17) que proporá a convocação da ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, em duas comissões da Casa.

Sampaio quer que Ideli explique a entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, publicada neste domingo, 16, na qual admitiu que o Congresso, “às vezes, faz chantagem” com o governo.

“A ministra deve à sociedade uma melhor explicação sobre o que disse: se há chantagem, ela precisa dizer por parte de quem, do Congresso ou da base do governo, em que momento ocorreu, e como o governo reagiu, se atendeu ou não. Ela fez uma acusação grave e cabe a ela detalhar as circunstâncias”, disse ele, em nota distribuída pela liderança do partido.

A estratégia da legenda é protocolar o requerimento em duas comissões (na de Segurança Pública e na de Constituição e Justiça) para aumentar as chances de convocação de Ideli. Sampaio, que não é membro permanente destas comissões, apresentará o pedido de convocação com parlamentares tucanos que compõem os grupos.

A sigla cobra explicações para os R$ 2 bilhões em emendas parlamentares que ela anunciou que a administração federal vai liberar. “Ao dizer que há chantagem por parte do Congresso e anunciar a liberação de recursos, a ministra dá a entender que o governo foi pressionado e está cedendo. Isso precisa ser esclarecido”, afirmou ele, ainda de acordo com a nota.

Apesar de ser uma prática que não é vista com bons-olhos pela presidente Dilma Rousseff, Ideli atribuiu a chantagem ao sistema político eleitoral, que obriga a chefe do Executivo a fazer uma gestão de coalização.

“Vou te dizer que essa possibilidade (de chantagem) existe e de vez em quando acontece”, respondeu a ministra de Relações Institucionais, que vê como natural a política do “toma lá dá cá”.

Se a agremiação conseguir emplacar a convocação de Ideli, ela será a segunda do primeiro escalão a ser requisitada pela Câmara em menos de uma semana. No dia 12, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural convocou o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, para explicar a política de demarcação de terras indígenas no País.

No mesmo dia, Ideli saiu em defesa de Carvalho e disse que a convocação era desnecessária porque os ministros do governo Dilma Rousseff se dispõem sempre a vir ao Parlamento quando são “convidados”.