A Polícia Federal entregou à Justiça o livro-caixa da WE Original, boate e reduto do suposto esquema de desvio de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A PF avalia que o documento confirma que a casa noturna ocultava e lavava dinheiro público e bancava contas do lobista João Pedro de Moura, apontado como principal operador da trama. Moura é homem de confiança do deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP).

Duas páginas da contabilidade da WE chamam a atenção do delegado federal Rodrigo Levin, que conduz a Santa Tereza – missão que investiga empréstimos do BNDES para empresas e prefeituras. Os projetos sob suspeita foram feitos pelo empresário Marcos Mantovani. Uma página do documento da WE, intitulada ?Movimento do Caixa?, apresenta histórico de entrada e saída de dinheiro do prostíbulo e pagamento de comissões.

Outra página, escrita à mão, indica que a casa cobriu gastos de Moura em viagens ao Rio, sede do BNDES. Lançamento mostra que num dia a WE liberou R$ 342 em passagem aérea para o lobista. Outro registro aponta para os nomes de Alberto Mourão (PSDB), prefeito de Praia Grande, e de um assessor dele, Jamil Issa Filho. A PF suspeita que Mourão e Issa foram beneficiários do esquema, o que eles negam.

Antonio Claudio Mariz de Oliveira, advogado do prefeito, asseverou que seu cliente ?não tem nenhuma participação em atos ilícitos?. O criminalista Frederico Crissiúma de Figueiredo, que defende Moura, informou que ele ?vai prestar todos os esclarecimentos à Justiça?. Antonio Ruiz Filho e Carlos Kauffmann, do Escritório Ruiz Filho e Kauffmann Advogados Associados, informaram que seu cliente, Mantovani, elaborou ?projetos limpos e jamais ganhou um centavo do BNDES?. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.