O ex-deputado federal Léo de Almeida Neves, um dos fundadores do antigo MDB e um dos seus mais importantes líderes, vai lançar, ainda neste ano, um livro relatando episódios relevantes da política nacional e estadual. Intitulada ” Vivenciando fragmentos de história”, a obra será publicada pela editora Paz e Terra e conterá o relato de uma entrevista concedida por Almeida na qual o ex-deputado revela que o ex-governador Paulo Pimentel foi o primeiro político de expressão nacional a defender a redemocratização do Brasil.

Segundo Neves, durante entrevista concedida ao jornal carioca Diário de Notícias (publicada em 4 de junho de 1968), Paulo – que, na época, era governador do Paraná – assumiu a condição de líder da redemocratização no País ao defender a reforma constitucional e a eleição direta para presidente e vice-presidente da República. “O parlamentar peemedebista acentuou que Paulo Pimentel assumiu essa liderança ao investir contra a cassação da autonomia municipal, determinada pelo governo federal a pretexto de atender imperativo da segurança nacional”, destaca o jornal.

Coragem

Na entrevista, Léo de Almeida Neves considera corajosa a atitude de Paulo de ter defendido a abertura democrática, na condição de governador de Estado. “Com a coragem e o bom senso que lhe são peculiares, Paulo Pimentel falou à Nação e, em nome dela, aquilo que todos queriam ouvir, ou que muitos – os políticos e o povo – não se atreveram a dizer antes, por ser inconveniente: a modificação da Constituição para que o povo tenha o direito de escolher, diretamente, o seu presidente”, comentou o ex-deputado.

Neves também destacou a proposta de pluripartidarismo defendida por Paulo. Segundo o ex-deputado, o bipartidarismo “é uma autêntica camisa de força a subjugar a índole democrática e as tradições do povo brasileiro” e por isso o Brasil entendia nesta época que era necessário ter cinco partidos. “O parlamentar também aplaudiu a investida de Paulo Pimentel contra a criação das áreas de segurança nacional, afirmando que a eleição de prefeitos em nada atenta contra ela e, ao contrário, garantem maior tranquilidade, harmonia política e segurança”, diz o Diário de Notícias.

Ainda de acordo com Léo de Almeida Neves, Paulo defendeu a autonomia dos Estados e, ao fazê-lo, ” tocou num assunto de grande relevância, porque a nova política tributária vem apresentando resultados desastroso para as unidades federativas”. “A crítica do governador do Paraná à prerrogativa presidencial de legislar por decretos-lei vai ao encontro do próprio pensamento do Poder Legislativo, que se vê invadido em sua seara e até mesmo ultrajado pela duplicidade do poder presidencial, que o abomina”, comentou o ex-deputado.