O ex-governador Ney Braga, em foto de 1997.

Uma reconstituição histórica dos fatos ocorridos na política do Paraná nas décadas de 60 e 70. Foi esta a principal intenção do jornalista Vanderlei Rebelo ao escrever “Ney Braga – A Política como Arte”, que será lançado amanhã (dia 26), a partir das 16h, no Espaço Cultural do Centro Legislativo Presidente Aníbal Curi.

Para atingir seu objetivo, Rebelo optou por iniciar sua narrativa na histórica Lapa, onde Ney Braga nasceu, percorrendo sua trajetória na carreira militar, a iniciação na vida política pelas mãos de outro estadista marcante, Bento Munhoz da Rocha Neto, a eleição para o governo, o surgimento do “neysmo”, as transformações que ocorreram no Paraná ao longo desse período.

A montagem desse amplo painel demandou uma minuciosa pesquisa dos jornais da época, consultas à bibliografia existente e entrevistas de pessoas que testemunharam a bem-sucedida carreira de um político reconhecidamente incomum. Ele ouviu os ex-governadores Paulo Pimentel e José Richa, os jornalista Luiz Geraldo Mazza, Mussa José Assis e José Augusto Ribeiro, os ex-deputados Norton Macedo e Ítalo Conti, o deputado Afonso Camargo e o ex-prefeito Saul Raiz, além de familiares, amigos e até adversários do ex-governador, o que lhe permitiu uma apreciação crítica onde não foram poupados os desvios de autoritarismo personalista que o tempo e as ligações com o regime militar fizeram emergir.

Rebelo destaca também as informações colhidas junto a um dos fundadores do MDB de Curitiba, Sílvio Sebastiani e, principalmente, ao ex-presidente do Banco do Estado, Celso Sabóia, já falecido, que cedeu-lhe um texto autobiográfico inédito retratando os bastidores da década de 60. Como jornalista experiente, ele mergulhou nesses bastidores para tentar decifrar manobras e acordos que determinaram a ascensão ou o declínio de grupos politicos com participação expressiva na vida do Estado ao longo desse período.

Foram três anos de trabalho: “O que não é muito quando se considera que foi um período de grande turbulência. Ney Braga deu inflexão na questão econômica do Estado, lançou as diretrizes de planejamento e as bases da infraestrutura em energia e estradas para a industrialização do Estado”, observa o autor.

O livro de Rebelo não se limita a listar obras e programas, nem tampouco se preocupa com discursos infindáveis ou tediosos panegíricos. Está bem longe disso. Com linguagem enxuta e ágil, relata de forma saborosa episódios da história recente do Estado, aquele lado que os livros oficiais deixaram de fora.