Se, no dia 2 de abril do ano que vem, o prefeito Beto Richa (PSDB) anunciar sua renúncia para concorrer ao governo pelo PSDB, Curitiba terá um novo prefeito pelos próximos três anos.

Vice-prefeito pela segunda vez, Luciano Ducci (PSB) acumula os cargos de secretário municipal da Saúde e coordenador operacional das Administrações Regionais.

É um político discreto, que foge de polêmicas e resiste até mesmo a comentar a possibilidade de gerir a maior cidade do estado. “Eu preferia aguardar o momento oportuno para falar sobre isso porque não estou trabalhando com essa pretensão de ser prefeito. Isso não está definido”, tentou desconversar o vice-prefeito.

Mas o herdeiro da cadeira de Beto Richa sabe o que vem pela frente. Se assumir terá que desfazer os nós de licitações milionárias (lixo), outras controversas (radares) e novas, como a do transporte coletivo, a primeira da cidade para o setor.

“Licitações são processos democráticos e que envolvem muitos interesses. Mas não vejo problemas porque nossos editais são transparentes e, no caso do lixo, quem está se digladiando são as empresas, entre elas”, afirmou o possível futuro prefeito de Curitiba, que também vai ter que exercitar seus talentos de negociador com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, para conseguir as verbas para o metrô, promessa de campanha que insiste em não sair do papel.

“Não pensamos em descartar o metrô. A prefeitura sempre trabalhou com a idéia de ter 50% dos recursos a fundo perdido. Agora, estamos trabalhando outra fórmula no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento segunda etapa)”, afirmou Ducci, que repete as explicações do titular do cargo sobre as dificuldades para a execução do projeto. “Com recursos próprios ou financiamento internacional, não é possível. Comprometeria, e muito, os recursos da cidade”, disse.

Na área política, Ducci também terá alguns desafios este ano. Com o deputado federal Ciro Gomes (PSB) cada vez mais encantado com a ideia de ser candidato a presidente da República, Ducci poderá se ver na obrigação de ficar longe do palanque do governador José Serra (PSDB) na disputa presidencial.

Essa é sempre uma lembrança que alguns setores do PSDB gostam de reavivar como argumento para que Beto deixe de lado a candidatura ao governo, indicando que haveria o risco de Ducci também manter distância do palanque estadual tucano, ou que o partido deixaria a prefeitura de Curitiba para um partido adversário.

Mas o fantasma do palanque duplo não assombra o vice-prefeito. Pelo menos é o que ele garante. “No Paraná, todo mundo sabe que o PSB é cem por cento Beto Richa”, disse o vice-prefeito.

“Nós já estivemos, eu e o Beto, com o presidente nacional do partido, (o governador de Pernambuco, Eduardo Campos), e tudo já está certo”, assegurou Ducci.

Ele já enfrentou um dilema político em 2006, quando após apoiar a candidatura do governador Roberto Requião (PMDB), no primeiro turno das eleições, teve que recuar no segundo turno, quando Beto oficializou apoio ao senador Osmar Dias (PDT). Ducci desceu do palanque de Requião, mas não subiu ao de Osmar. O que lhe rende até hoje um certo distanciamento do pedetista.