Nove meses depois de assumir a prefeitura de Curitiba, Luciano Ducci (PSB) vislumbra um 2011 com o início de novas obras para a cidade, com prioridade em mudanças em algumas ruas para tentar diminuir os congestionamentos, além de entregar obras que estão em andamento, que começaram com o trabalho de Beto Richa (PSDB), com a filosofia de transformar a cidade em um “canteiro de obras” e que tanto foram citadas pelo governador eleito nos últimos meses.

Em entrevista a O Estado, o prefeito destacou as revitalizações previstas para a Avenida Cândido de Abreu e Rua Carlos de Carvalho, além de novas ligações rodoviárias nos bairros.

Um bom trabalho no ano que vem pode ajudar Ducci a preparar o terreno para lançar sua candidatura a prefeito nas eleições municipais de 2012, quando o prefeito espera manter as alianças políticas das últimas disputas.

O Estado – Tendo em vista a realização de jogos da Copa do Mundo em Curitiba em 2014 e a necessidade de se melhorar o trânsito na capital, que mudanças estratégicas estão sendo planejadas para a cidade?

Luciano Ducci – Temos obras importantes em andamento, como na Avenida Vereador Toaldo Túlio, que está sendo totalmente revitalizada, com iluminação nova, calçada, todo mundo que anda por lá está adorando.

Na Avenida Fredolin Wolf temos outra obra importante, com drenagem, pavimento novo e alargamento de pista, um novo acesso norte-oeste na cidade, menos congestionado, com mais fluidez.

Temos também o binário Chile-Guabirotuba em pleno andamento, com trincheira na Avenida das Torres, a ponte sob o Rio Belém e a canalização do Rio Água Verde, perto da Pontifícia Universidade Católica (PUC), que também abre um eixo que não existia na cidade.

Muitas pessoas que vão vir pela Avenida das Torres com destino à região do Água Verde e Rebouças não vão mais precisar passar pelo Viaduto do Colorado. Isso vai diminuir o congestionamento. Ameniza, pelo menos, o fluxo no viaduto.

Temos obras nos bairros também, como no eixo de integração do Tatuquara, para possibilitar quem mora na região sul ter um caminho novo para vir até o centro.

Na região, que tem crescido muito, estão previstos uma Rua da Cidadania, uma unidade de saúde 24 horas e um terminal. Até 2012 teremos um novo Tatuquara, bem diferente do que ele já foi.

OE – E o que está previsto de obras novas para o ano que vem?

LD – Em janeiro, começam as obras da Avenida Marechal Floriano, com ciclofaixa, inclusive. A partir do segundo semestre começa o trecho dois, do terminal do Carmo até São José dos Pinhais, obra que está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa.

Em janeiro começa a obra do anel viário central. Assinei edital de licitação para a Eduardo Pinto da Rocha, avenida de mais de cinco quilômetros que será asfaltada, reivindicação antiga dos moradores do Umbará.

A Linha Verde norte deve começar no mês de abril. A licitação está pronta e falta uma parte burocrática de liberação das verbas do governo federal para empréstimo junto à Agência Francesa de Desenvolvimento.

Em 2011 começa também a revitalização da Avenida Cândido de Abreu e da Rua Carlos de Carvalho, duas obras grandes e que mudam a paisagem urbana de Curitiba.

Na Cândido de Abreu, no trecho da prefeitura até a Praça XIX de Dezembro, teremos um novo espaço de lazer. Vamos tirar as pistas lentas laterais. Na Carlos de Carvalho, será feita revitalização da Rua Visconde de Nácar até a Rua Francisco Rocha, além de melhorias na Praça da Espanha.

Na área da saúde temos o Hospital do Idoso, grande marco não só de Curitiba, mas uma referência nacional. A partir do ano que vem haverá uma parceria muito forte do prefeito com o governador, coisa que não acontece há bastante tempo. Isso facilita muito a administração, porque há um enten,dimento entre os gestores, uma política integrada.

OE – Um dos grandes transtornos nos últimos tempos para Curitiba e região era o destino do lixo. Até agora, a prefeitura não conseguiu implantar o Consórcio Intermunicipal de Destinos Sólidos, por conta de pendências judiciais. O que se pode vislumbrar no futuro sobre essa questão?

LD – Como prefeito, posso dizer com toda a tranquilidade que resolvi o problema do lixo. Tínhamos uma data-limite para o aterro da Caximba, que era dia 1 de novembro.

Contratamos um novo aterro sanitário, que é o destino final do lixo utilizado no Brasil e na América Latina. O que tentamos fazer nos últimos dois anos foi um estilo diferenciado, que é uma usina para tratamento de resíduos sólidos e que colocaria Curitiba na ponta em relação a outras cidades do Brasil e da América Latina.

A questão técnica está resolvida, é um grande sonho nosso e queremos avançar mais. Eu estou trabalhando bastante para que isso aconteça. A única pendência é a judicial, falta o julgamento do mérito sobre o assunto.

OE – Um dos últimos projetos polêmicos aprovados na Câmara de Vereadores diz respeito à instalação de cancelas nas ruas sem saída da cidade e que dependem de sanção do senhor. O senhor concorda com o projeto?

LD – A orientação é que se faça uma análise jurídica dentro da legalidade e da constitucionalidade do projeto. A partir daí vou decidir, mas é preciso distinguir interesse individual do interesse da cidade como um todo, para não inviabilizar projetos futuros.

OE – O senhor já declarou vontade de disputar as eleições para a prefeitura de Curitiba em 2012. Já se pode ter uma ideia das alianças políticas para daqui a dois anos? Com o fim das eleições de outubro, o nome do deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) apareceu como nome forte para as próximas eleições municipais. Como o senhor vê esse quadro?

LD – Vejo como natural a continuação dessa aliança política. Não consigo ver diferente disso, que a relação partidária PSDB e PSB seja mantida em 2012, assim como os outros partidos que têm feito parte da nossa aliança.

Gustavo é um nome forte não só por conta das últimas eleições, ele é bem conceituado politicamente, teve um bom desempenho com deputado federal. Faltou pouco para ele se eleger senador, trabalhamos muito e infelizmente isso não se concretizou. Espero que todos nós possamos estar juntos em 2012, os partidos e aliados.

OE – Nos bastidores cogita-se uma aproximação do PSB com o PT e inclusive já surge o nome de Ângelo Vanhoni (PT) como um possível futuro vice seu…

LC – A aliança prioritária do PSB em Curitiba é com o PSDB. A gente não exclui nenhum partido político de estar junto da construção da aliança política em 2012. Meu partido é aliado do governo federal, faz parte da base, em alguns estados têm parceria com o PT, outros com o PSDB. Mas a construção da aliança política de 2012 acredito que se dará em 2012 mesmo.