Está marcado para hoje às 11 horas, no Palácio do Planalto, o encontro solicitado pelo governador Roberto Requião (PMDB) ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O que motivou o governador a pedir a audiência com o presidente foi a queda-de-braço com o banco Itaú em torno do resgate dos títulos podres adquiridos pelo extinto Banestado, mas a pauta dos assuntos que Requião pretende tratar com Lula é bem mais extensa.

Nesta conversa, a primeira oficial e com hora marcada com o presidente em Brasília depois de encontros breves nos últimos dois anos, Requião quer apresentar a lista completa de todas as queixas que tem contra o governo federal. E que inclui assuntos que inflamam o governador, como os contratos com as concessionários de pedágio no Paraná assinados pelo seu antecessor no cargo, o Porto de Paranaguá, que é alvo de sucessivos relatórios da Antaq, Agência Nacional de Transportes Aquaviários, e ainda as obras em rodovias federais e recursos devidos pela União, como os repasses da Lei Kandir.

Para ajudar na condução dos assuntos administrativos e técnicos, Requião leva com ele a Brasília o secretário da Fazenda, Heron Arzua, que tem todos os números das obras que o Paraná reclama e das transferências de recursos da União para o estado.

O governador pretende repetir ao presidente as críticas que faz a alguns dos integrantes do primeiro escalão do seu governo. Requião costuma dizer que Lula é seu amigo, mas que alguns dos seus ministros não são amigos do Paraná.

Conforme a assessoria do governador, não é intenção discutir assuntos eleitorais com o presidente da República. Requião é um dos defensores da candidatura própria do PMDB à presidência da República, o que confronta com a posição do presidente da República que busca atrair o PMDB para uma composição para sua reeleição em outubro. Por enquanto, o governador continua alinhado à ala peemedebista que não quer aliança com o PT na sucessão presidencial. No Paraná, Requião e o partido do presidente da República também não planejam uma composição, pelo menos no primeiro turno da eleição.

Antes de hoje, o último encontro entre o presidente e o governador foi em novembro, quando Lula veio por algumas horas a Curitiba, onde participou de um evento promovido pela Rede Paranaense de Comunicação. Lula e o governador conversaram no aeroporto, mas não houve tempo para Requião apresentar todo o inventário das pendências entre o Paraná e o governo federal.