Pela segunda vez em menos de dez dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira (29) com o candidato de oposição às eleições que serão realizadas no ano que vem, Maurício Funes. Lula que é um antigo conhecido de Funes e de sua mulher, Vanda Pinhato, que tem fortes ligações com o PT, em discurso, ao lado do presidente de El Salvador, Elias Saca, de direita, no palácio de governo, exaltou as esquerdas, pela segunda vez no dia, lembrando dos tempos que vinha ao país se reunir com militantes.

Funes é candidato da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional – FMLN, que é uma antiga guerrilha que lutava contra o governo local e participou da frente de esquerda que Lula ajudou a criar nos anos 90, o Fórum São Paulo. Em sua fala ao lado do presidente salvadorenho, Lula fez questão de citar sua alegria de estar naquele país, como presidente da República. "No final da década de 70 e começo dos anos 80, viajava muito por esta região, onde existiam muitos conflitos políticos e por que não dizer de verdadeiras guerras internas, entre facções políticas, entre tendências, entre grupos", comentou Lula, acrescentando que se orgulhava de, em 1990, ter conseguido reunir as esquerdas da região, pela primeira vez, quando ajudou a criar o Fórum de São Paulo. "Hoje, quando chego a esta parte do nosso continente e na própria América do Sul, com exceção das FARC, nós constatamos que a democracia está sendo consolidada, que as instituições estão funcionando e que as pessoas aprenderam que a disputa política pela via democrática é muito mais sensata e muito menos custosa aos povos e aos nossos países", comentou no presidente, que já apoiou a eleição de outros presidentes de esquerda no continente.

O encontro de Lula com Funes foi realizado no hotel Sheranton, onde o presidente brasileiro se hospedou. Funes esteve com Lula também, no início da semana passada, em Brasília, no Palácio do Planalto. Na comitiva presidencial, todos tratavam Funes como o futuro presidente de El Salvador. Mais cedo, em discurso para empresários brasileiros e salvadorenhos, Lula aproveitou para, usando seu próprio exemplo, sem citar o nome de Funes ou a sua eleição, tentar afastar qualquer temor em relação à eleição de uma pessoa de esquerda no País. "Os empresários não têm mais medo das esquerdas e as esquerdas já não têm mais medo dos empresários", disse ele, depois de lembrar que estamos vivendo uma tranqüilidade, com fortalecimento das instituições, demonstrando um aprendizado democrático.