Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 Lula e Requião: Presidente garante empenho pessoal em solucionar o problema dos títulos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu ao governador Roberto Requião (PMDB) encontrar uma saída para o impasse entre o Paraná e a Secretaria do Tesouro Nacional em torno dos títulos podres do Banestado, privatizado em 2000. Conforme as informações divulgadas pelo Palácio Iguaçu sobre o encontro ontem entre Requião e Lula no Palácio do Planalto, o presidente disse que a solução para o caso será encontrada pela Casa Civil e o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que participou da conversa a pedido de Lula. 

Para o governador, o presidente demonstrou empenho pessoal em solucionar o problema dos títulos. O Palácio Iguaçu, entretanto, não revelou detalhes da conversa do governador com o presidente sobre os outros temas da pauta de reivindicações do Paraná ao governo federal, como o pedido de apoio do governo petista às posições do Paraná sobre a cobrança de pedágio.

Embora o Palácio Iguaçu não tenha informado se questões eleitorais estiveram no cardápio de assuntos com o presidente, Requião anunciou em Brasília que o PMDB do Paraná tende a apoiar a pré-candidatura do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, nas prévias do partido, marcadas para março, que irá escolher um candidato peemedebista à sucessão presidencial.

Conforme o Palácio Iguaçu, o ponto central da reunião com o presidente foi a solicitação do governador para desbloquear as transferências de recursos da União, suspensas desde que o Paraná entrou para o cadastro de inadimplentes por não ter efetuado o pagamento dos títulos comprados pelo Banestado, mas que foram repassados ao estado depois que o banco foi vendido ao Itaú, em 2000. Requião levou o procurador Geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, o secretário da Administração, Reinhold Stephanes, e o diretor geral da Secretaria da Fazenda, Nestor Bueno, para a audiência com Lula.

O governador relatou ao presidente que os recursos represados já somam R$29 milhões. Um dos argumentos do governador é que a liberação dos recursos federais não poderia ter sido interrompida já que o governo do estado e o Ministério Público Federal estão questionando judicialmente a validade da operação com os títulos que foram adquiridos de Pernambuco, Santa Catarina e Alagoas e dos municípios de Osasco e Guarulhos, durante o governo Lerner. Somente Pernambuco remunerou os títulos.

Ainda em Brasília, o governador esteve com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, com quem discutiu também as disputas judiciais do governo do Paraná com o banco Itaú. Além do caso dos títulos podres, o governo do Paraná e o Itaú travam uma briga judicial por causa das contas dos servidores públicos estaduais que foram transferidas para o Banco do Brasil.

O governador explicou ao presidente que a transferência dos títulos para o estado foi uma das condições impostas pelo Banco Central para emprestar os recursos destinados ao saneamento do Banestado, antes da privatização. "Mesmo o Estado já tendo pago à União R$ 4 bilhões, a dívida alcança hoje a soma de R$ 8 bilhões", protestou o governador Requião.

Saúde

Conforme a assessoria do governador, a conversa com Lula teve duração de uma hora. Antes do encontro reservado, Requião acompanhou Lula na solenidade de assinatura da primeira compra pela Petrobrás de biodiesel feito a partir de produtos comercializados por pequenos agricultores. No início do encontro entre os dois, a Radiobrás registrou um momento de descontração entre o governador e o presidente. Foi quando Requião começou a comer sementes de mamona, que integrava o kit de produtos oleaginosos a partir dos quais é feito o biodiesel. O governador foi advertido por Lula que a mamona é tóxica.