Foto: Arquivo/O Estado

Lula: governabilidade.

Preparado sob medida para não criar polêmica, o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PC do B) à reeleição, proporá uma reforma política com tempero light, embora o tema reforce a lista das ações prioritárias para um eventual segundo mandato. O projeto de Lula defenderá a fidelidade partidária, o financiamento público de campanha e o voto em lista para cargos eletivos, mas não pregará a convocação de uma assembléia constituinte exclusiva para votar a reforma, idéia considerada ?genial? por ele, mas rechaçada pela oposição e até por juristas.

?A proposta de reforma política será econômica. Não vamos detalhar o que deve ser feito porque isso tem de ser resultado de um acordo mais amplo?, disse o coordenador da proposta de governo e assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia Sobre se o PT defenderia o fim da reeleição na plataforma, Garcia foi taxativo: ?Isso não é coisa para programa de governo?.

O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro, adotou o mesmo tom e ensaiou um recuo estratégico: admitiu que é necessário ?despartidarizar? a agenda política. ?Nenhum presidente terá governabilidade sem essa reforma, tanto que ela é defendida por todos os partidos, do PFL ao PSOL, passando pelo PSDB e PMDB. Mas, se for necessário distensionar (sic) o ambiente, vamos fazer o debate depois da eleição?, afirmou.

Para o coordenador do projeto de governo e assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, ?o grande mérito? da polêmica foi trazer à tona a discussão em torno da necessidade de mudança no sistema partidário.