Licenciado da presidência do DEM do Paraná desde a campanha eleitoral, por ter optado, ao contrário do restante do partido, por apoiar o candidato do PDT ao governo, Osmar Dias, o deputado federal Abelardo Lupion decidiu manter sua licença por mais dois meses, para o presidente em exercício, deputado estadual Durval Amaral, conduzir o partido na transição para o governo Beto Richa (PSDB). “Eu apoiei o Osmar, o partido foi com o Beto, e o Beto ganhou. Seria constrangedor, agora, eu negociar com o Beto. Temos que buscar o espaço do partido no governo, acomodar os que não se elegeram. É melhor que um aliado dele seja nosso interlocutor”, justificou.

Durval disse que, antes de negociar os cargos, o DEM vai trabalhar pela candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República. “O DEM trabalha em parceria com Beto Richa. O primeiro passo foi elegê-lo, agora é eleger o Serra presidente. Só depois vamos sentar para discutir qual vai ser a participação do partido no governo”.

Apesar de ter apoiado Osmar, “por respeito à palavra”, Lupion disse que, acabada a eleição, o quadro político se restabelece. “Vou trabalhar pelo Paraná na Câmara. Meu filho (Pedro Lupion), que foi eleito deputado estadual, integrará a bancada, seguirá a orientação da liderança do partido”, afirmou. Para Lupion, a colada de Osmar Dias no PT pode ter definido a derrota de seu amigo na eleição estadual. “Ele até herdou alguns votos do Lula, mas o nosso povo ficou com muita restrição a essa coligação. Quando se faz aliança que tem que dar explicações, fica difícil”, disse, admitindo que também foi prejudicado por apoiar o mesmo candidato que o PT, seu tradicional adversário. “Tive uma perda monstruosa de votos. O pessoal na nossa área não aceitou, e eu tive que entender. Paguei o preço. O homem pode perder tudo, mas não a palavra”, concluiu.