O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou hoje que o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, “terá melhores condições de ajudar na construção dos acordos necessários para aprovação e implementação da Comissão da Verdade”. O petista destacou que, mesmo depois de aprovada, será preciso trabalhar para levar adiante a investigação de temas ainda obscuros da ditadura militar.

“É uma matéria polêmica, complexa, que vai necessitar de muita diplomacia. A diplomacia do Celso Amorim pode contribuir para que saia do papel e se transforme em realidade”, acrescentou Maia, que está no Rio de Janeiro reunião do diretório nacional do PT.

Em relação ao ministro da Defesa demitido nesta semana, Nelson Jobim, Maia disse que ele foi traído pelo seu próprio estilo, “mais polêmico e mais desprendido” dos cuidados com as palavras. “Não era o estilo mais adequado para o papel que ele desempenhava neste momento”, disse o presidente da Câmara.

Marco Maia procurou minimizar a resistência de setores das Forças Armadas à escolha de Celso Amorim. “Não vi nenhuma reação negativa. Temos diferenças entre os militares, é uma organização muito grande. O importante é que na área militar há a questão da hierarquia. Tomada a decisão pela presidenta Dilma Rousseff, tem que ser seguida por todos”, afirmou o deputado.

Ao comentar a terceira demissão de um ministro por Dilma em apenas dois meses, Maia disse que a presidente manda “um recado muito forte em duas direções”. “Um à sociedade, de que não será conivente com nenhum esquema de corrupção. Deixa clara a forma como vai atuar em temas dessa natureza. O segundo viés é recado para o próprio governo, para os ministros e agentes públicos de que precisam ser rigorosos no trato com a coisa pública. Ela não vai tolerar o ‘eu não sabia daquilo que estava acontecendo no meu ministério'”.