Foto: Allan Costa Pinto

Burko: ?Picaretagem dele?.

O Sindicato dos Servidores e Professores Públicos de Guarapuava (Sisppmug) denunciou ontem que funcionários públicos de Guarapuava estão até oito anos sem tirar e nem receber pagamento de férias. Desde que assumiu a entidade, no início de maio, a atual diretoria do Sisppmug já recebeu 115 reclamações de servidores com este problema. Os representantes da categoria prometem pedir intervenção do Ministério Público Estadual (MPE) para resolver a questão e, caso não haja acordo, cobrar o direito na Justiça.

?Temos servidores com duas, três, até oito férias vencidas e não pagas. Hoje uma servidora nos falou que a prefeitura havia proposto as férias, mas sem o pagamento do terço do salário?, contou a presidente do Sisppmug, Márcia Aparecida Oliveira. A diretoria do sindicado se reuniu com membros da prefeitura para discutir a questão no último dia 31 de maio, mas, segundo Márcia, ouviu que a administração municipal não tem dinheiro para pagar todos e está priorizando os que têm menor salário. O sindicato aguarda nova reunião. ?Caso contrário, vamos para a Justiça. Esta semana já vamos protocolar uma denúncia no Ministério Público.?

Foto: Arquivo

Carli: problema é antigo.

Márcia afirmou que os servidores querem o pagamento e o direito a gozar todas as férias atrasadas. ?Se conseguirmos negociar estamos sugerindo que os servidores tirem dois meses de férias em seis meses e mais dois nos outros seis meses até repor tudo?, explicou. ?O Estatuto do Servidor Público de Guarapuava diz que as férias não são acumuláveis?, completou. A prefeitura de Guarapuava tem cerca de 15 mil servidores. O Sisppmug ainda não tem o número exato dos funcionários com férias vencidas. Márcia também não soube informar a situação dos trabalhadores com cargo em comissão.

A prefeitura de Guarapuava informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que quando o atual prefeito, Luiz Fernando Ribas Carli (PP), assumiu a gestão municipal em 2005, o problema já existia. Por isso os mais prejudicados, com mais tempo sem férias, teriam sido priorizados, já que o orçamento municipal não comporta o pagamento de todas as férias atrasadas.

O ex-prefeito de Guarapuava e atual presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vitor Hugo Burko (PR), garantiu que deixou o governo para seu sucessor com tudo em ordem. Segundo ele, todos os servidores que quiseram tiraram férias na sua gestão e tiveram o pagamento do terço do salário corretamente. ?Ele (Ribas Carli) quebrou a prefeitura para eleger o filho dele (deputado estadual Fernando Carli Filho – PSB) e daí dois anos e meio depois vem tentar jogar a culpa em mim?, rebateu. ?Isso é mentira e picaretagem dele?, concluiu.