A partir das 9 horas desta quarta-feira (28, amanhã), centenas de manifestantes são esperados para o protesto na praça Santos Andrade contra os escândalos praticados pelo presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB), envolvendo também a sua mulher, Cláudia Queiroz. Os organizadores pretendem pedir o impeachment do vereador tucano.

Os manifestantes pretendem deixar a praça em passeata até a sede do Legislativo da capital paranaense, para acompanhar a reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga crimes de improbidade na contratação de serviços de publicidade, especialmente de empresas ligadas a familiares de Derosso, cuja conta passa de R$ 30 milhões.

Estudantes, sindicalistas, lideranças comunitárias e dos partidos de oposição permanecerão em vigília ao longo do dia para pressionar os vereadores da base do prefeito Luciano Ducci (PSB), favoráveis ao presidente da Câmara, na sessão plenária que acontecerá no período da tarde.

Adesões

Nas últimas semanas, o movimento pela moralização e ética no Legislativo curitibano ganhou o apoio da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e da igreja católica, representada pelo presidente da regional Sul II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Moacyr José Vitti, arcebispo metropolitano.

“Os vereadores da oposição têm feito um bom trabalho, foram responsáveis por pressionar o trâmite interno e denunciar as manobras para adiamento do processo; os estudantes, sindicalistas e partido têm garantido a mobilização e a imprensa, mantém a vigilância atenta. Mas é preciso mobilizar mais o conjunto da sociedade curitibana e paranaense para assegurar o bom andamento das investigações e as devidas sanções”, disse Roseli Isidoro, presidenta do PT de Curitiba.

O sindicalista Roni Barbosa, presidente da CUT-PR, concorda com a petista e acrescenta que essa mobilização maior é necessária para “garantir que as denúncias sejam realmente apuradas”. “Precisamos que mais setores da sociedade demonstrem preocupação com a gravidade dos fatos hoje dentro da Câmara de Vereadores”, disse.

“Vamos cobrar que essa CPI funcione de verdade e até pelo fato de que já há indícios suficientes para justificar a cassação de Derosso”, argumenta Thiago Moreira, secretário estadual de Cultura do PT e integrante do movimento Fora Derosso.

Funcionários

Na reunião de amanhã, a CPI do Derosso vai ouvir os funcionários responsáveis pelas licitações sob suspeita e procurar entender como se deu todo o processo para “normatizar” as contratações dos serviços de publicidade das empresas de familiares de Derosso.

“O primeiro passo é analisar os processos administrativos e, para tanto, vamos ouvir a exaustão os envolvidos dentro da Casa”, disse o vereador do PT Pedro Paulo Costa, integrante da CPI.