Um ano depois da marcha contra a venda da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que reuniu cerca de 3 mil pessoas e culminou com a entrega do projeto de iniciativa popular- com cerca de 140 mil assinaturas – ao presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PTB), líderes do movimento voltaram a se reunir ontem na Casa. O objetivo era lembrar a data e comemorar a tentativa frustrada do governo em privatizar a Companhia. Não faltou bolo, vela acesa, nem o tradicional “Parabéns para você.”

“Não tenho dúvidas de que a mobilização popular foi decisiva para que a Copel não fosse vendida”, afirmou o presidente do Fórum Popular Contra a Venda da Copel e presidente do diretório regional do PDT, Nelton Friedrich, lembrando que, na época, recebeu cumprimentos de várias federações e associações de outros Estados. Segundo ele, as ações do Fórum continuam, especialmente agora com as eleições para o governo estadual. “A Copel tem que fazer parte da campanha eleitoral, não apenas pelo o que aconteceu, mas pela questão estratégica”, comentou. “O novo governo tem que rever o modelo que está aí. Terá que ampliar substancialmente a presença nos fóruns de âmbito nacional que discutem a questão energética, inclusive a tarifa”, sugeriu. “Um Estado como o nosso, superavitário em energia, pode ser o melhor Estado energético do País.” Além da pressão sobre os candidatos a governo, o Fórum Popular pretende ainda realizar campanha para ‘refrescar’ a memória dos eleitores, resgatando os nomes dos deputados que votaram a favor da privatização da Copel.

Energia de combustão

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Luiz Antônio Rossafa, o papel da Copel pode ir muito além do que lhe compete hoje. “A Copel deveria ser uma empresa comprometida com a produção de energia elétrica, não apenas a partir de represas de água, mas de combustão”, defende. Segundo ele, pelo fato de o Estado ser um grande produtor de grãos, seria possível utilizar os resíduos agrícolas na produção de mais energia elétrica. “A Copel deveria incentivar a produção da energia em combustão. Temos todos os fatores favoráveis para isso: água doce, energia solar, condição climática”, aponta. E completa: “Se fossem priorizadas outras formas de energia alternativa, como a de combustão, o Paraná poderia atrair mais indústrias, recolher mais impostos.”