O ministro Marco Aurélio Mello completou 25 anos como integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que não se vê deixando o Tribunal. “Não me vejo virando as costas para essa cadeira. O que mais quero na vida é manter o mesmo entusiasmo, examinando o processo como se fosse o primeiro de minha vida judicante”, afirmou o ministro, ao ser homenageado pelos colegas ao fim da sessão plenária desta quarta-feira, 17.

Com a aprovação da PEC da Bengala, Marco Aurélio deve deixar o STF só em 2021, quando completa 75 anos. Até lá, ele ficar 31 anos na cadeira de ministro. O presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, classificou Marco Aurélio Mello como um “juiz de convicções firmes”, um “humanista e democrata”, ao iniciar as homenagens.

Marco Aurélio Mello foi indicado ao STF pelo ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL). Ele já ocupou a presidência do Supremo e também do Tribunal Superior Eleitoral. Na Corte, é conhecido por abrir a divergência nos julgamentos, cobrar pontualidade dos colegas no início da sessão e por não fugir de polêmicas.

O decano do Tribunal, ministro Celso de Mello, saudou o colega pelos conhecidos votos divergentes nos julgamentos. “O voto vencido é o voto da coragem, o voto de quem não teme ficar só”, disse Celso de Mello ao colega, afirmando que o voto do ministro, ainda que não seja da tese vencedora do julgamento, colabora para formar “diretrizes jurisprudenciais”.

O vice-presidente da República, Michel Temer, compareceu ao STF para a abertura de uma exposição em homenagem ao ministro Marco Aurélio e lançamento de livro sobre a carreira do magistrado. Também compareceram o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e ministros do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral – além dos próprios colegas do STF, incluindo o recém-empossado, Luiz Edson Fachin.