Ao assumir ontem o mandato na Assembleia Legislativa, na vaga deixada por Fernando Ribas Carli Fihlo, o ex-prefeito de Paranaguá Mário Roque ajudou a reforçar a bancada do PMDB, que agora está com dezoito deputados, mas suas relações com o governador Roberto Requião (PMDB) estão rompidas desde a campanha eleitoral do ano passado. Mário Roque foi eleito pelo PSB, mas mudou para o PMDB em 2007.

Coube ao vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) tentar restabelecer o contato com o novo deputado, que promete se alinhar à bancada de sustentação ao governo quando considerar adequado.

Pessuti compareceu à posse de Mário Roque e disse que os incidentes com Mário Roque foram superados e que acredita que o ex-prefeito irá votar de acordo com a orientação da liderança do governo.

Na campanha eleitoral do ano passado para a prefeitura de Paranaguá, em desvantagem nas pesquisas de intenções de votos, Mário Roque distribuiu um vídeo em um site na internet em que acusava publicamente o governador pela falta de resultados eleitorais.

Mas principalmente atacou Eduardo Requião, o irmão do governador que estava na superintendência do Porto de Paranaguá, à época. Desde então, Mário Roque permanece no comando do partido na cidade, mas não reatou com Requião.

Ontem, ele disse que não se arrepende de nenhum dos seus atos em relação ao governador, mas que tende a votar com a bancada do governo quando for necessário.

“Não me arrependo do que foi feito. Mas aqui não é o fórum para vingança ou para que haja um ambiente desarmônico”, disse o ex-prefeito de Paranaguá. Mário Roque afirmou que, desde o episódio da campanha, não mais encontrou o governador. “Nós dois temos o mesmo feitio. Não nos desculpamos um com o outro”, disse o novo deputado.

Em litígio

A cadeira de Mário Roque será reivindicada na Justiça pela direção estadual do PSB. Carli Filho era filiado ao PSB, partido pelo qual Mário Roque disputou a eleição em 2006, quando alcançou a primeira suplência. Ele mudou para o PMDB em 2007.

Por isso, o PSB irá entrar com uma ação de cassação do mandato do ex-prefeito de Paranaguá por infidelidade partidária junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

O PSB defende a posse do segundo suplente, o advogado Wilson Quinteiro. O segundo suplente já tentou obter a vaga no ano passada, quando Mário Roque assumiu o mandato no lugar de Reni Pereira, em julho do ano passado, por trinta dias.

Mário Roque disse que a ação de Quinteiro foi arquivada. O novo deputado alega que sua mudança de partido não configura infidelidade partidária porque quando se filiou ao PMDB não detinha o mandato. “Era apenas uma expectativa de poder”, justificou.