O publicitário Franklin Mandim Pereira, da agência Blow Up, afirmou nesta terça-feira, 6, que foi o responsável pela aproximação do grupo J&F, controlador do frigorífico Friboi-JBS, com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, acusado de comandar um esquema de desvios na estatal que financiava partidos e políticos.

O grupo empresarial é investigado pela Operação Lava Jato, que desbaratou o esquema, em razão de aparecer em anotações e planilhas de Costa. A Polícia Federal suspeita que o ex-diretor da Petrobras tenha atuado como consultor do J&F. Nesta terça, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que as planilhas apreendidas no computador do ex-diretor da Petrobrás citavam um contrato de consultoria em andamento com o grupo empresarial. O J&F nega que tenha feito qualquer acordo com o acusado da Lava Jato. Além das planilhas, há anotações de Costa. Numa delas, há a inscrição ” 25% Franklein” próximo a “J&F”.

Para a Polícia Federal, o nome é uma referência a Agenor Franklin de Medeiros, executivo da OAS, fornecedora da Petrobras, preso na operação. A J&F contesta informação, dizendo se tratar na verdade de Franklin Pereira. O publicitário diz o mesmo. Afirma que os 25% seriam uma comissão que receberia caso Costa conseguisse convencer o grupo J&F a comprar uma empresa que alugava barcos de exploração para a Petrobrás, a Astromarítima. O negócio não foi fechado. Franklin Pereira reproduz também a versão do grupo controlador da Friboi-JBS sobre não ter havido assinatura de qualquer contrato de consultoria com o ex-diretor da Petrobrás.

“Nunca teve contrato. Quem apresentou (Costa) fui eu, não para fazer negócio, mas para ele falar de uma conjuntura geral. Eu procurei (Costa), levei ele até a JBS, em São Paulo. Ele foi falar sobre a estrutura de energia, óleo e gás”, disse Franklin Pereira.

A PF não comentou as contestações feitas pela J&F nem as declarações do publicitário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.