O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria revelado a pelo menos um auxiliar e a um dirigente do PT que o seu candidato ao governo de São Paulo será o petista Aloisio Mercadante, líder do governo no Senado. Pesquisas internas do PT indicam que ele é hoje o candidato mais competitivo da legenda no Estado. O presidente planeja anunciar publicamente a sua opção no início do próximo ano. Não quer melindrar a ex-prefeita Marta Suplicy, também pré-candidata do PT à sucessão do governador Geraldo Alckmin (SP).

Em almoço realizado anteontem no Planalto Lula teria pedido ao comando petista que evite a realização de prévias para a escolha do candidato em São Paulo. Ele deseja que o nome do Mercadante seja viabilizado por consenso. O mecanismo das prévias está previsto no estatuto do PT. Marta defende a sua realização. Mercadante prefere evitar.

Entre os petistas que dividiram a mesa de almoço com Lula estavam o próprio Mercadante; os deputados Ricardo Berzoini (SP), presidente da legenda, e Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo na Câmara; e Paulo Frateschi, presidente do PT em São Paulo. Comprometeram-se a tentar um consenso que evite as prévias.

Mercadante se beneficia pelo fato de ser um dos sobreviventes da crise deste ano que atropelou dois até então fortes concorrentes. O ex-ministro e ex-deputado José Dirceu também queria disputar o governo de São Paulo, assim como o ex-presidente da Câmara Federal, deputado João Paulo. Mas os dois foram atropelados pela crise política. Um perdeu o mandato e outro está ameaçado de perdê-lo.

Além disso, Mercadante tem sempre uma coleção de estatísticas positivas pronta para defender o governo Lula. Ele garante que faz isto porque acredita que a força do partido está no desempenho do governo. "Esse é a nossa força", assegura, confiante de que a economia voltará a crescer em 2006. No entanto, o senador não evita fazer auto-críticas. Ele diz que o PT errou onde não poderia errar, no campo da ética, mas diz confiar na garra da militância para superar este momento. O ano eleitoral será duro para ele, que terá de conciliar a função de líder do governo no Senado com a batalha pela indicação do PT para candidato ao governo de São Paulo. Vai disputar com a ex-prefeita Marta Suplicy e quer, com o apoio de Lula, trabalhar por um acordo e evitar as prévias. Mas com o cabo eleitoral que tem, provavelmente a primeira batalha, a da indicação, está bem avançada.